Melissa ganha força internacional na London Fashion Week

Festa durante a semana da moda na capital britânica lançará o modelo criado pela arquiteta Zaha Hadid

Daniela Milanese, da Agência Estado,

15 de setembro de 2008 | 11h28

A London Fashion Week deste ano vai ganhar ares brasileiros. Uma festa durante a semana da moda na capital britânica, que começou no domingo, 14, marcará o primeiro evento internacional da Melissa, com o lançamento do modelo criado por Zaha Hadid, arquiteta iraquiana radicada na Inglaterra.  Sandália Melissa por Zaha Hadid. Foto: Alex Silva/AE A sandália de plástico brasileira, fabricada pela Grendene, busca a internacionalização. Já presente em mil pontos-de-venda em mais de 50 países, como Japão, Itália, França e Estados Unidos, o objetivo é reforçar a marca e conquistar novos espaços. "O evento em Londres reflete o sucesso de nossa estratégia", diz Raquel Scherer, coordenadora de marketing da Melissa. Ela revela que a empresa está iniciando exportações para a Rússia e abriu recentemente um distribuidor nos Emirados Árabes para atender o Oriente Médio. Agora, os próximos alvos são a Índia e a Coréia, reforçando assim a participação na Ásia, onde a sandália já é vendida na China e em Hong Kong. A companhia não abre os números das exportações. Mas Raquel conta que a dedicação dada ao mercado interno é a mesma dispensada ao externo, inclusive com equipe com o mesmo número de pessoas. "O que posso dizer é que vamos crescer lá fora." O curioso é que no exterior a Melissa ganha outra cara, na linha descolada-chique. Se no Brasil são as meninas de 15 aos 25 anos que usam a sandália de plástico, em outros países as consumidoras são mais maduras, até os 30 anos. A diferença é resultado da própria estratégia de distribuição, que procura inicialmente os melhores pontos-de-venda para somente depois ampliar os canais. "A consumidora lá fora é mais adulta, por isso nosso cuidado de não deixar uma conotação infantil", afirma Raquel. "Exploramos o lado divertido, mas não é adolescente." Uma visita a lojas de Londres deixa isso bem claro. Na pomposa Harvey Nichols, as principais prateleiras exibem sandálias de Stella Mcartney, Miu Miu, Dolce & Gabbana e Christian Louboutin, entre tantos outros. Em um lado um pouco mais descontraído, eis que surgem seis modelos da Melissa, vendidos na faixa de 50 libras, cerca de R$ 180. Logo abaixo, outra brasileira: a Havaianas, da Alpargatas. O modelo básico, aquele sem estampas, é vendido a 20 libras, algo como R$ 70. Raquel diz que não encara a marca como concorrente. "Eles têm um produto, que é um chinelo, mas a Melissa possui sapatilha, salto e plataforma." No entanto, depois de conquistar estrelas de cinema como Julia Roberts, a Havaianas se tornou bastante conhecida lá fora e é fácil encontrá-la em lojas e nos pés dos europeus. No litoral da Croácia, por exemplo, o procurado point do verão na Europa, os chinelos estão em todos os lugares, numa mostra da força da distribuição. Para ganhar status fora do País, a Melissa tem apostado em nomes reconhecidos internacionalmente, como os designers irmãos Campana e o egípcio Karim Rashid, o estilista brasileiro Alexandre Herchcovitch e a britânica Vivienne Westwood, a famosa criadora da moda punk - e do vestido de casamento de Carrie Bradshaw, a personagem de Sarah Jessica Parker no filme Sex and the City. Agora, é o modelo criado por Zaha Hadid que chega à Europa. Logo depois da festa de lançamento, na próxima quinta-feira, a sandália já estará sendo vendida na Dover Street Market, badalada loja de Londres, a cerca de US$ 300, ou cerca de R$ 530. Raquel conta que desde o lançamento dos irmãos Campana a empresa vem trabalhando com nomes que não estão só no mundo da moda, já que outras formas de expressões artísticas também influenciam o comportamento dos consumidores. "A Zaha é a melhor arquiteta mulher do mundo e o trabalho dela tem sinergias com o produto." A profissional foi a primeira mulher a vencer o conceituado Pritzker Architecture Prize, em 2004, prêmio que também já foi dado a Oscar Niemeyer, de quem Zaha se diz admiradora. Atualmente, ela trabalha no projeto do Centro Aquático de Londres, com capacidade para 20 mil pessoas, para as Olimpíadas de 2012. Foi a primeira vez que a iraquiana criou um sapato. Ela tem dito que conseguiu fazer a sandália do jeito que imaginou, se aproveitando da mobilidade do plástico. O resultado é um calçado em peça sem emendas, cheio de curvas, refletindo a fluidez do design, algo que não sairia com o couro. Para os próximos lançamentos, Raquel conta que já há contatos com novos nomes para o ano que vem - mas, por enquanto, não revela quais são.

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