Melhor contribuição ao cinema foi roteiro para Huston

Análise: Luiz Carlos Merten

O Estado de S.Paulo

07 de junho de 2012 | 04h22

Ele era o B no ABC da ficção científica - Asimov, Bradbury e Clarke. Houve uma época em que os críticos diziam que Ray Bradbury era o autor ideal de ficção científica - para quem não gostava do gênero. Seria o poeta da fi-ci. O próprio Bradbury era reticente. Preferia a fábula ao desenvolvimento científico que tanto atraía Arthur C. Clarke, por exemplo.

Foram 11 romances e 40 livros de contos - Bradbury escreveu até policiais, mas foram as ficções científicas que esculpiram sua fama. As Crônicas Marcianas, O Homem Ilustrado, Fahrenheit 451. Muito antes que os dinossauros de Michael Crichton e Steven Spielberg passeassem sobre a Terra, Bradbury já os exumara em Contos de Dinossauros. Há três ou quatro que são insuperáveis, e que Spielberg bem que poderia ter filmado.

Fahrenheit 451 é um filme famoso, sem ser grande. François Truffaut conta a história dessa sociedade futura em que a função dos bombeiros é atear fogo aos livros. A trilha de Bernard Herrmann conecta Fahrenheit a Alfred Hitchcock, mas falta suspense e o resultado é gélido. O Homem Ilustrado virou Uma Sombra Passou por Aqui, mas embora o diretor (Jack Smight) e o ator (Rod Steiger) fossem bons, o filme é um desastre. A melhor contribuição de Bradbury aos filmes não foi a trama de nenhum de seus originais, mas o roteiro de Moby Dick, que escreveu para John Huston. As blasfêmias de Herman Melville encontraram em Bradbury um ilustrador à altura.

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