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Melhor comédia

Fui acordado, logo cedo, pela minha mãe felicíssima porque o filme Meu Passado Me Condena, do qual eu faço parte, estava concorrendo ao prêmio de melhor filme de comédia no Grande Prêmio do Cinema Brasileiro.

Fábio Porchat, O Estado de S.Paulo

10 de agosto de 2014 | 02h06

Fiquei animado e perguntei quais eram os outros. Ainda curioso, quis saber quais eram os filmes que concorriam a melhor filme de drama. Qual não foi a minha surpresa? Não tem essa categoria. Os filmes do gênero drama concorrem a melhor filme. Ponto. Quer dizer, agora a comédia é café com leite, concorre só entre ela já que, óbvio, nunca vai ganhar um prêmio de melhor filme. Porque, afinal de contas, comédia não é filme, é comédia.

É como se houvesse uma categoria de melhor ator chinês. Já que os atores chineses nunca ganham nada e raríssimas vezes são indicados para alguma coisa, vamos abrir uma categoria pra eles se divertirem entre eles. Tipo as crianças brincando no play. Ou tem separação de melhor comédia, melhor drama e melhor filme, ou só tem o melhor filme.

Ter o prêmio de melhor comédia é ruim pra comédia e para o drama. Pra comédia porque ela acaba ficando como coitadinha que tem que ter um prêmio só pra ela e pro drama porque acaba tido como um injustiçado que nem merece um prêmio só pra ele.

A verdade é que as comédias é que levam público ao cinema quando falamos de filmes nacionais, mas uma comédia concorrer a melhor filme é coisa rara, então, como aproximar a minha premiação do público? Touché!

Este ano, até temos uma das comédias concorrendo a melhor filme, Cine Holliúdy (aliás, ótimo, divertido, a ideia é muito boa, meu voto vai pra ele e está disponível no Netflix, vale a pena). O que me irrita é o prêmio de consolação que a comédia sempre acaba levando. Ah, não tem como comparar o Leandro Hassum com o Milhem Cortaz. Claro que não. Bota o Milhem pra fazer 500 pessoas rirem sem parar por uma hora e meia. Ah, então o Milhem é ruim? Não, ele é excelente! Mas cada um tem o seu talento e um não é mais importante que o outro.

Se o Paulo Gustavo foi "amaldiçoado" com esse dom genial de fazer rir, ele não precisa fazer um O Lobo Atrás da Porta para provar que é bom ator. Ele prova que é bom ator fazendo você chorar de rir. Ponto final.

Eu não estou aqui questionando os filmes que concorrem, na realidade achei ótima as escolhas de melhor filme, só não queria que as pessoas ficassem com peninha da comédia. Se é pra ficar com peninha, relaxa, deixa a gente aqui quietinho, fazendo nosso cineminha, não precisa jogar na nossa cara que a gente é do submundo, aquele lugar horrível que envergonha o pessoal que faz "cinema de verdade".

Eu entendo que o Grande Prêmio criou essa categoria com boas intenções, mas é que, você sabe, de boas intenções...

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