Trevor Tondro/The New York Times
Trevor Tondro/The New York Times

Melancolia em sons e imagens

Moby fala sobre novo disco, que traz livro no qual retrata a vida na estrada

Roberto Nascimento, O Estado de S.Paulo

15 de maio de 2011 | 00h00

Viajar está no sangue de Richard Melville Hall, o popular DJ, produtor e fotógrafo conhecido simplesmente como Moby. O sobrenome vem de um parentesco com Herman Melville, que já declarava no autobiográfico Moby Dick que, quando vem à boca o gosto do tédio, é hora de partir para alto mar.

Eis que o inquieto Moby, cujo apelido honra a sagrada baleia, lança seu décimo disco acompanhado de um livro que retrata sua vida no lugar em que passa a maioria de seu tempo: a estrada. Tratam-se de imagens de aeroportos, lugares ermos e multidões vistas da perspectiva de um pop star ultra famoso. As fotos, assim como a música de Moby no novo trabalho e durante toda sua carreira, carregam uma melancolia interminável.

"Talvez isso seja natural para o ser humano ou talvez seja para mim porque sou filho único, vivo sozinho e trabalho sozinho, mas a música mais emocional e melancólica é a que me vem sem esforço", conta Moby ao Estado, de Nova York, ao fazer os preparativos para a turnê de Destroyed.

Para Moby, as noites solitárias que passa entre hotéis anônimos e o check in do aeroporto trazem um conforto que lembra o estado de proteção que sentia quando criança. "Eu era obcecado. Tocava guitarra o dia inteiro, comprava todos os discos, lia todas as revistas que encontrava. Música era tudo. Me sentia mais próximo de alguns discos do que dos meus melhores amigos", revela.

Os discos iam de Echo and the Bunnymen a Kraftwerk e Joy Division e também bandas eletrônicas menos conhecidas como Suicide, Cabaret Voltaire e Silver Apples, influências que voltaram a figurar na música de Moby em Destroyed. "Essas bandas me inspiravam muito e isto voltou a acontecer novamente no ano passado. A ideia é que o disco fosse acústico, mas quando comecei a ouvir estas coisas, virou um disco eletrônico", diz.

A mudança repentina reflete a profusão de facetas da música de Moby. Em 2010, Moby tocava com uma banda completa. O som era orgânico e transitava entre folk e rock sem dar nenhuma indicação de que o arranjador é uma estrela do eletrônico.

E se Moby é capaz de trocar de estilo como de roupa, não surpreende o fato de sua carreira se dividir entre tantos interesses. Além das fotos e dos discos de platina que acumulou com o estrondoso sucesso de Play, de 99, Moby escreveu Gristle, um livro sobre culinária vegan, que busca elucidar o leitor sobre os benefícios de não comer carne e derivados. Recentemente, Moby, nova-iorquino irremediável, mudou-se para Los Angeles para morar em um castelo (foto) de três alqueires dos anos 20 que tem uma vista panorâmica do famoso sinal de Hollywood.

"Tenho meu estúdio em Nova York, mas me mudei para Los Angeles porque ficou tão caro morar em Nova York que a maioria dos artistas e músicos tiveram de ir embora. Sinto que Los Angeles tem uma comunidade criativa muito interessante que Manhattan e o Brooklyn não têm agora. A cidade é tão grande, que é fácil pagar o aluguel. O lado oeste é dos chiques e famosos, mas no leste há uma cena artística muito interessante", conta.

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