Meio milhão foi ver exposição de arte brasileira em NY

A exposição Brazil: Body and Soul, que está em cartaz desde 19 de outubro do ano passado no museu Guggenheim de Nova York, chega ao fim quarta-feira tendo recebido cerca de 500 mil visitantes. Foi a maior mostra de arte brasileira fora do Brasil, com cerca de 400 obras representativas de todos os períodos da produção artística nacional.O esforço de divulgar a cultura brasileira nos Estados Unidos foi recompensado pelo sucesso de público. Inicialmente programada para encerrar no dia 29 de janeiro, a exposição foi prorrogada. ?Esticar por quatro meses uma exposição é raro em Nova York?, diz Emílio Kalil, diretor de projetos da BrasilConnects, empresa responsável pela produção do evento. Mas se o público americano aprovou, ou pelo menos mostrou curiosidade pela arte brasileira, a imprensa local se dividiu. Enquanto revistas especializadas em crítica de arte não aceitaram bem a mistura de vários períodos da arte brasileira com objetos religiosos e indígenas, jornais de vulto como o New York Times destacaram a exposição em seus cadernos culturais. O Times chegou a escrever que Brazil: Body and Soul era ?o Brasil em toda a sua glória extravagante?. O saldo da iniciativa, porém, foi fazer chegar ao público dos Estados Unidos uma visão plural do Brasil. Todos os períodos da produção artística brasileira foram cobertos pela mostra. O leque de objetos em exposição ia do barroco à arte contemporânea, passando pelos marcos do modernismo e pela produção visual do século 19, além de peças antropológicas como artesanatos, plumagens indígenas e ex-votos nordestinos. Um dos destaques da mostra, e uma causa de dores de cabeça para os organizadores, foi o altar-mor do Mosteiro de São Bento de Olinda. Uma decisão judicial em outubro de 2001 quase desfalcou Brazil: Body and Soul de um de seus principais atrativos. Na época, o presidente da República e o ministro das Relações Exteriores tiveram que interferir para que o altar fosse liberado. A Justiça temia que Nova York, então recém-atingida pelos atentados de 11 de setembro, não fosse segura para o patrimônio histórico brasileiro. O altar foi aos EUA dividido em 54 partes e começou a ser desmontado no último dia 13. ?O altar virá direto para Recife em dois vôos, que devem chegar em torno do dia 15 de junho?, informa Kalil. Para que cerca de 400 obras pudessem ser expostas nos Estados Unidos, o Museu Guggenheim se responsabilizou ?irrevogável e incondicionalmente? pelas obras. Fez um seguro de US$ 200 milhões para as obras de arte e artesanato e dois seguros adicionais de US$ 20 milhões para o altar barroco de Olinda.A prorrogação da mostra em Nova York frustrou os planos do Guggenheim de Bilbao. Brazil: Body and Soul iria para a filial espanhola do museu, mas uma nova exposição foi cancelada. Segundo Emílio Kalil, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional quebrou uma regra (a permissão de no máximo seis meses para obras do patrimônio brasileiro ficarem no exterior) para que a exposição fosse até hoje. Novos planos - A BrasilConnects já tem duas novas grandes exposições agendadas, mas desta vez no Brasil. Ainda em 2002, a empresa pretende realizar, na Oca do Ibirapuera, exposições sobre a Rússia e a China. 500 Anos de Arte Russa: dos Ícones ao Contemporâneo vai trazer a São Paulo 112 peças do catolicismo ortodoxo russo, os ícones, e obras de épocas mais recentes da arte russa, como as que seguiam o realismo socialista. Já a exposição Os Cavaleiros de Terracota de Xi?an e os Tesouros da Cidade Perdida vai exibir 11 estátuas de cavaleiros e 5 de cavalos feitas na China durante a Idade Média. As estátuas foram descobertas na colina de Xi?an, onde foram enterradas junto a um imperador chinês. Ao todo são mais de sete mil estátuas. Além das 16 obras, virão outras obras representativas da cultura chinesa.

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