Meia maratona cheia de grandes atrações

Embora não disputem prêmios, vários filmes fora de concurso chamam a atenção em Veneza. São os casos de Bad 25, de Spike Lee, Clarisse, de Liliana Cavani, Carmel e Lullaby to My Father, ambos de Amos Gitai, The Company You Keep, de Robert Redford, e Witness: Libya, de Michael Mann. Manoel de Oliveira, aos 104 anos, manda ao Lido seu novo opus - O Gebo e a Sombra.

VENEZA, O Estado de S.Paulo

28 de agosto de 2012 | 03h09

Mann nem poderia mesmo competir, pois é o presidente do júri, formado por Marina Abramovic, Laetitia Casta, Peter Ho-Sun Chan, Ari Folman, Matteo Garrone, Ursula Meier, Samantha Morton e Pablo Trapero.

A principal homenagem de 2012 será ao veterano Francesco Rosi, um dos expoentes do grande cinema político italiano. Rosi receberá um Leão de Ouro pela carreira e verá exibido na principal vitrine do festival, a Sala Grande, seu clássico O Caso Mattei, em cópia restaurada. É autor de alguns dos principais filmes italianos dos engajados anos 60 e 70, como Bandido Giuliano (1962), que exerceu grande influência sobre o Cinema Novo e, em especial, sobre Glauber Rocha. É diretor também de As Mãos sobre a Cidade (1963), Lucky Luciano (1973), Cadáveres Ilustres (1976) e A Trégua (1997), este baseado em livro de Primo Levi. Saído do neorrealismo, o cinema desse autor nascido em Nápoles em 1922, se detém sobre a relação do homem com seu meio social. É político até a medula e não sabe pensar-se fora desse âmbito.

O Caso Mattei, com Gian Maria Volonté no papel principal, fala do esforço da empresa estatal italiana do petróleo, a ENI, para se firmar em meio aos interesses das muito mais poderosas sete "irmãs" do ramo petrolífero. Seu presidente, o nacionalista Enrico Mattei (1905-1962), em sua luta contra o oligopólio petrolífero, chegou a buscar apoio da União Soviética, em plena Guerra Fria. Morreu num acidente aéreo envolto em suspeita de atentado.

A O Caso Mattei, juntam-se outros filmes antigos, em cópias restauradas, na seção Venezia Classici. Alguns são bem manjados, como Crepúsculo dos Deuses (1950), de Billy Wilder, Fanny e Alexander (1982), de Ingmar Bergman, e Stromboli (1950), de Roberto Rossellini, com a divina Ingrid Bergman como a refugiada que se casa com um pescador. Outra atração imperdível dessa sessão será, sem dúvida, Portal do Paraíso, de Michael Cimino, outro dos homenageados. Enfim, um cardápio de dar água na boca. Resta saber se será possível servir-se desse generoso bufê ao longo da maratona proposta pela Mostra. Mesmo enxuta, ainda é, pelo menos, uma meia maratona. / L.Z.O.

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