Megaportal de entretenimento naufraga

Um dos maiores "micos" da internet parece ter chegado ao fim. O Pop.com, o megasite de entretenimento idealizado por uma joint venture da DreamWorks com a Imagine Entertainment, acaba de dispensar seus 75 empregados e dificilmente deve começar a funcionar no mês que vem, como estava previsto.O empreendimento que tinha o envolvimento de Steven Spielberg, Jeffrey Katzenberg, David Geffen, Ron Howard e Brian Glazer não conseguiu empolgar o mercado com promessas de ações da bolsa de valores e outras formas de compensações.Anunciado em outubro do ano passado, o Pop.com seria um grande portal de conteúdo original em vídeo, com curtas-metragens, desenhos animados e games produzidos por grandes nomes de Hollywood. Os três poderosos da DreamWorks serviriam de chamariz para a mão-de-obra barata, enquanto a Imagine, responsável por filmes como Splash Uma Sereia em Minha Vida e seriados como Felicity, entraria com a tecnologia de apoio.Katzenberg anunciou o projeto fazendo comparação com a MTV. "Assim como a MTV lançou um novo fórum para os videoclipes, nós vamos oferecer um novo trampolim para essa forma de entretenimento que está crescendo tão rápido", disse ele no release de lançamento da empresa. Howard, por sua vez, afirmou estar "excitado com a oportunidade de explorar novas formas de comunicação".Em março eles anunciaram o lançamento do PopFest, um festival que deveria ajudar diretores iniciantes a ganhar espaço no mercado, tornando o site uma experiência interativa. Parcerias com a Amazon.com e o IPIX permitiriam novos desdobramentos do conteúdo produzido por nomes como Will Smith, Mike Myers, Julia Roberts e Eddie Murphy.O problema é que nenhum desses nomes aceitou trabalhar em troca de dinheiro virtual. Os astros e as estrelas de Hollywood, conscientes de que estariam emprestando sua fama para atrair visitantes, começaram a exigir pagamentos em dinheiro. Para resolver o problema da falta de conteúdo, o Pop tentou adquirir, usando o resto de seu investimento inicial, o site UndergroundFilms.com. O negógio não chegou ao fim.O sinal mais forte de que o empreendimento estava afundando veio quando Katzenberg assumiu para o The Wall Street Journal, no início de agosto, que o processo estava sendo "muito mais difícil do que o imaginado". Um mês depois, o site Inside.com revelou que o bem-sucedido iFilms.com estava tentando comprar o Pop, o que significaria o fim do envolvimento do trio da DreamWorks.Na manhã de ontem, de acordo com o Inside, os funcionários foram avisados que estavam dispensados. A maioria dos profissionais era contratada da DreamWorks e estava "emprestada" para o Pop."Apesar de a Internet continuar representando uma oportunidade criativa para nós, o mercado mudou dramaticamente desde o nosso anúncio inicial", disse um porta-voz do site ontem. "O resultado é que o site é um negócio menos viável." A empresa não sabe ainda o que vai fazer com os filmes adquiridos até agora e coloca uma nuvem negra nos projetos milionários para sites de conteúdo no futuro.

Agencia Estado,

07 de setembro de 2000 | 18h07

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