Adeloyá Magnoni
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João Wady Cury
Palco, plateia e coxia
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Medeia, Itamar e a Consciência

Produções que homenageiam a Consciência Negra vão invadir São Paulo antes do mês acabar

João Wady Cury, O Estado de S. Paulo

07 de novembro de 2019 | 03h00

Pouco antes de novembro partir, duas peças fazem jus ao mês da Consciência Negra no Sesc Pompeia. A atriz Marcia Limma estreia em São Paulo no dia 26 sua tragédia greco-baiana, Medeia Negra, adaptada de Eurípedes. Canta a dor da mulher negra encarcerada no sistema prisional baiano. Dois dias depois, é a vez da homenagem a Itamar Assumpção, Pretoperitamar. Traz as mineiras Ana Maria Gonçalves e Grace Passô na dramaturgia do musical, idealizado por Anelis, filha do artista.

 

HOMEM DE SETE CABEÇAS

Paulista de Tietê, formado artisticamente em Londrina e autodidata, Itamar Assumpção (1949-2003) foi um dos artistas mais criativos e inovadores da música brasileira, um performer impressionante quando performance ainda era coisa de gente que babava.

Fez parte da chamada Vanguarda Paulista, a partir de 1979, com Arrigo Barnabé, Premê e Língua de Trapo. Sua morte, aos 50 e poucos, nos privou de um artista com longa obra ainda por construir. Pretoperitamar tem a direção de Grace Passô e, no palco, um time de bambas formado por Allyson Amaral, Claudia Missura, Denise Assunção, Fabrício Boliveira, Iara Rennó, Negro Leo, Thalma de Freitas e Tulipa Ruiz dá charme à coisa toda. De quebra, a participação especial de Arrigo Barnabé fará alegria da moçada.  

 

FIDELIZA, MON AMOUR 

A ideia começa a brotar no asfalto da região da Luz e, como a própria construção do de um novo teatro há três anos, aberto na área da Cracolândia paulistana, no bairro da Luz, de início seria impensável. Para tornar a situação ainda mais inusitada, um teatro formado por 11 contêineres marítimos. Aconteceu e acabou tornando-se um dos espaços mais charmosos da cidade, sob o comando de artistas da Cia Mungunzá. Agora a trupe dá um passo adiante. Está lançando um programa de fidelização para o público. Paga-se R$ 218 por um ano de associação para assistir a todas as peças em cartaz no Contêiner. Para se ter uma ideia, se o investimento da bufunfa vale, vamos às contas: ano passado foram 60 espetáculos diferentes entre adulto e infantil. Pechincha perde. “Dessa maneira, conseguimos ter uma rede mínima de proteção financeira para fazer a manutenção básica do teatro e, ao mesmo tempo, colocar ao público a possibilidade de nos apoiar diretamente, como muitos já se manifestaram”, diz o ator Marcos Felipe de Oliveira, um dos integrantes da Mungunzá. O modelo da companhia não é novo. Pouco importa. Tem resultados de sucesso em algumas capitais do mundo como Buenos Aires, Londres, Paris, Barcelona e Madri. 

  

AMOR FIDELIZADO  

Fidelizados de primeira hora poderão se beneficiar com a mostra de cinco peças da trupe, que se inicia semana que vem. Primeiro com Poema Suspenso para uma Cidade em Queda, seguindo-se Epidemia Prata, Luis Antonio – Gabriela, Porque a Criança Cozinha na Polenta e o infantil Era uma Era.


Três perguntas para Armando Babaioff

Ator, fã do grupo Galpão

1. O que é ser ator?

Amigo da frustração, inimigo da vaidade, colega do desapego. Indivíduo e coletivo. Ouvir e responder. Brincar de passado no presente. Respeitar e celebrar os que pisaram no palco antes de mim.

2. Frase arrebatadora?

“Comovo-me em excesso, por natureza e por ofício. Acho medonho alguém viver sem paixões”, Graciliano Ramos.

3. Qual é o seu motto?

Respira!

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