McCartney encanta fãs com clássicos e simpatia

Aos 68 anos, Paul McCartney não precisava tocar as quase 3 horas em cada um dos shows programados para o Morumbi - ontem e domingo -, para deixar em êxtase as cerca de 64 mil pessoas esperadas em cada noite. Para o público voltar para casa feliz, bastaria ver o ex-beatle em ação. Mas McCartney fez muito mais. Falou em português, cantou mais de 20 músicas, homenageou os amigos John Lennon e George Harrison, acenou, deu tchauzinhos. Além de agradecer inúmeras vezes pelos aplausos. Apresentações como essas mostram porque o cantor e compositor não é "Sir McCartney" por acaso.

AE, Agência Estado

23 de novembro de 2010 | 09h22

O repertório da apresentação de domingo foi praticamente igual ao de Porto Alegre, sendo que na capital gaúcha ele tocou uma música a mais, "Ram On", que em São Paulo ficou de fora. McCartney não é do tipo que faz mudanças drásticas no set list. Às vezes, ele se dá ao luxo de mudar uma coisa ou outra, como fez na Argentina, onde abriu o show com "Magical Mystery Tour". Diferentemente de Porto Alegre, aqui ele não convidou ninguém a subir ao palco. Mas abusou do português, com frases lidas numa tela à sua frente, entre elas "Boa noite, São Paulo", "Obrigado, paulistas", "E aí, galera?", "Tudo ótimo" ou "Esta noite, eu vou tentar falar português. Mas vou falar mais em inglês".

Momentos de destaque do show também foram falados em português, como quando ele cantou "My Love". "Fiz essa música para a minha gatinha, Linda. Mas hoje a música é para os namorados". Ou, ainda, quando homenageou John Lennon. "Escrevi essa música para meu amigo John", ele disse, antes de cantar "Here Today", do álbum "Tug of War", de 1982. McCartney também reservou espaço para homenagear o outro amigo beatle, George Harrison, cantando "Something", canção de autoria de Harrison.

Enquanto John Lennon era mais introspectivo, Paul McCartney sempre foi considerado o mais carismático dos Beatles. No domingo, ele provou isso ao interagir o tempo inteiro com a plateia quando, por exemplo, ao final de "Hey Jude", pediu, em português, para apenas os homens cantarem e depois só as mulheres. Outro exemplo foi quando resolveu, de improviso, fazer uma canção com o nome de São Paulo. Foram quase dois minutos de solos acompanhado do coro da plateia cada vez que ele dizia: "Ê, ô, São Paulo". A cada canção, o ex-beatle não perdia a oportunidade de fazer uma brincadeira. Antes de tocar "Ob-La-Di, Ob-La-Da", ele disse, em inglês: "Essa é uma canção que todos já cantaram alguma vez na vida, mesmo que escondidos. Agora, é o momento de cantar comigo. Vamos lá, se soltem".

Pouco depois, astro e público cantaram juntos no clássico refrão "She love?s you, yeah, yeah, yeah". E o ex-beatle acrescentou um "I love you, yeah, yeah, yeah". Paul McCartney gosta, também, de não alterar os arranjos originais de suas canções. Para alguns músicos que já estão há longo tempo na estrada, tocar as mesmas canções, com os mesmos arranjos originais, é cansativo. Para ele, não é assim. "All My Loving", "Drive My Car" e "And I Love Her", escritas na década de 60, foram executadas com o mesmo arranjo e frescor que tiveram quando foram compostas, há 40 anos. A banda que acompanhou o astro mundial também não decepcionou. Os músicos dessa turnê já tocam com o ex-beatle há mais de dez anos. As informações são do Jornal da Tarde.

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