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Mauricio Lima expõe parte da reportagem fotográfica realizada na Líbia, no Afeganistão e Iraque

'Lybia Hurra' inaugura amanhã a galeria DOC para convidados e a partir de quarta para o público

Simonetta Persichetti - ESPECIAL PARA O ESTADO,

04 Junho 2012 | 10h54

Antes de completar 30 anos, em 2004, Mauricio Lima, então fotógrafo da France Press, recebeu das mãos do escritor colombiano Gabriel García Márquez o prêmio da Fundação Nuevo Periodismo Iberoamericano (criada pelo próprio Gabo), pelo ensaio fotográfico Esperança sem Teto, que mostrava a ocupação de um terreno da Volkswagen em São Bernardo do Campo. Mais, ele recebeu o seguinte conselho: “Não interrompa o processo de iluminar as pessoas esquecidas”.

Oito anos depois, Mauricio Lima, hoje fotógrafo independente reconhecido e com vários prêmios e colaborador do The New York Times, já iluminou personagens de vários conflitos pelo mundo. O pós-guerra no Iraque, o Afeganistão, a Faixa de Gaza e a ofensiva em Sirtre, que culminou com a queda e morte de Muammar Kadafi. Parte dessa reportagem constitui a exposição Lybia Hurra (Líbia Livre), que inaugura um novo espaço para fotografia em São Paulo, amanhã para convidados e a partir de quarta-feira para o público, a galeria DOC, dos também fotógrafos Fernando Costa Neto e Mônica Maia.

Foram 50 dias na Líbia e 15 em Sirtre. Preocupado com as questões humanistas, não gosta de falar muito de como foi estar lá, sabe que não é ele o protagonista da história, mas as pessoas que fotografou. O que ele viu e sentiu estão nas suas imagens: “O que quero para minha vida é documentar a vida de outras pessoas, acompanhá-las, saber de seu cotidiano, mostrar ao mundo quem são elas, como a população vive essas guerras”. Assim como a maioria dos fotógrafos de conflito, Mauricio Lima, também se define um pacifista. “Sei que não é possível, mas gostaria que minhas imagens ajudassem a parar a guerra.”

Imagens fortes, pungentes. Um olhar que chega perto, muito perto do que quer observar. Uma fotografia que não nos permite alegar desconhecimento, que não nos permite evitar que se tome uma posição.

Mauricio Lima está ali, contando sua história particular. Como afirma a crítica americana Susie Linfield, “as imagens de guerra não dizem somente ‘isso é’, mas dizem também ‘isso não deveria ser’. Não dizem somente ‘isto está acontecendo’, mas dizem também ‘isso deve parar’”.

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