Mauricio de Sousa completa 80 anos

Criador da Turma da Mônica continua incansável, com inúmeras atividades para comemorar mais um aniversário; a filha Mônica fala um pouco sobre o pai; veja galeria de fotos

Eliana Silva de Souza, O Estado de S.Paulo

27 Outubro 2015 | 18h19

Um dos desenhistas mais populares do Brasil, Mauricio de Sousa chega aos 80 anos em plena atividade, achando as 24 horas do dia muito pouco. Ele tem dez filhos, 11 netos e mais de 300 personagens criados em sua longa trajetória. 

No ano de seus oitentinha, ele foi homenageado na Coreia com uma grande exposição de seus ‘filhotes’. No Brasil, foi o homenageado da Bienal do Livro do Rio de Janeiro. “Fiquei orgulhoso e tive de fazer força para não ficar me achando, além disso, alguns dos escritores que estavam lá são meus ídolos”, conta Mauricio sobre estar no evento literário. Aliás, Mauricio de Sousa é o primeiro autor do segmento de quadrinhos a ingressar na APL – Academia Paulista de Letras.

Em meio a tantos personagens, será que ele tem algum favorito: “Gosto de todos os personagens, são meus filhos. Mas o Horácio fala mais de mim, pela linha filosófica relativa aos problemas da vida, relações humanas”, confidencia Mauricio, que começou a desenhar no final dos anos 1950. O primeiro personagem? Bidu, o simpático cãozinho azul, que tem como dono o Franjinha. Depois veio o Cebolinha, a Mônica, o Cascão e a Magali. E assim surgiu a Turma da Mônica. 

Até aqui foram muitos anos criando para o público infantil, o que o faz ser muito criterioso na questão de temas a serem abordados. Não é fácil querer entrar em assuntos complicados, como política. “A vida inteira evitei deslizar para o lado político, nosso material é dirigido a criança, ao jovem e são temas problemáticos para trabalhar para esse público. A única época em que chutei o pau da barraca e puxei temas mais políticos foi na época da ditadura, nas tirinhas do Jotalhão, do Rei Leonino. Até me arrisquei um pouco por usar temas que eram críticas veladas e outras não tanto ao governo”, afirma Mauricio. 

Que pensa o desenhista sobre a questão da diversidade sexual? “Eu não coloco nem coloquei tema gay nas historinhas, não é minha proposta. Quando eu puser não vou fazer isso de forma velada, mas só vou colocar quando a sociedade estiver aceitando normalmente. A Turma da Mônica e seus personagens não são de levantar bandeira, nosso público deve receber nossa mensagem sem véus, sem subterfúgios”, explica. 

Outro tema pesado é o da maioridade penal, o que pensa Mauricio sobre isso? “Não tenho nem ninguém tem opinião formada sobre isso, eu vou junto com a maioria. Particularmente eu acho que quem faz algo errado e sabe que está errado deve ser punido, as leis estão aí para ensinarem comportamento e não punirem”. 

Mas o que vale mesmo é saber que Mauricio está feliz e convencido que está no caminho certo. E, entre os vários festejos para o pai da Mônica, o retorno do Parque da Mônica, no Shopping SP Market, o enche de orgulho. “Está muito lindo, temos um sistema de colocar adultos e crianças no mesmo brinquedo, praticamente todos os brinquedos serão assim”, conta. 

Tem mais, no dia 7 de novembro, às 15h, Mauricio lança A Guerra de Troia em Versos de Cordel, livro em parceria com o escritor Fábio Sombra, será  na Livraria da Vila do Parque Shopping Maia (Guarulhos). Destinado ao público jovem, obra é uma versão ilustrada da história da Guerra de Troia narrada por Homero e contada em versos de cordel. 

Alguns dias antes, ele lançou Mauricio – O Início, que reúne os três primeiros títulos lançados pelo criador da Turma da Mônica: A Caixa da Bondade, Piteco e O Astronauta no Planeta dos Homens-Sorvete. 

A filha Mônica fala sobre o pai, Mauricio de Sousa

Meu pai, meu porto seguro, ele é uma gracinha de pessoa, de bem com a vida, vendo sempre o lado bom das pessoas, é otimista demais. Ele adora criança. Adora conviver com os fãs e acha que o trabalho dele não é trabalho é uma diversão. Faz bem pra ele isso, então ele trabalha 24 horas por dia, às vezes a gente fica brava com ele, mas ele fica bravo de a gente brigar com ele. É muito gostoso ver o carinho das pessoas por ele, mesmo quando público é adulto, a gente vê todos se transformando em crianças também, quando falam com ele. Muita gente fala para ele que aprendeu a ler com as revistinhas da Turma da Mônica. Eu não me dei conta da grandeza do que era o personagem Mônica quando eu era criança, não. Quando ela surgiu eu tinha 3 anos e ficou mais popular nos anos 60, quando eu tinha uns 6 anos. Ele trabalhou muito bem com a gente, para que nenhuma ficasse metida a besta, achando que éramos mais do que os outros. Ele falava, o personagem que criei é baseado em vocês, mas o personagem vai para um lado e vocês vão pra outro. Para mim foi tão natural crescer com os personagens, nunca me senti diferente por ter inspirado um personagem tão popular. Eu fico grata por isso, pois fiquei imortalizada através de um personagem muito forte, que fala da mulher brasileira, porque eu acho que a maioria das mulheres brasileiras têm sempre um Sansão ao seu lado. A Mônica, personagem, foi até melhorando e eu não tive, como meu diz, essa lapidação. Ele pode lapidar melhor o desenho do que a mim. Eu continuo bem brava, é o meu natural, assim como a Magali como pra caramba e o natural dela, mas ela não engorda. 

 

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