JF Diório
JF Diório

Mauricio de Sousa comemora seus 80 anos e traz de volta o Parque da Mônica

"Quero mostrar que é possível, no meio de uma crise, se inventar caminhos novos", diz quadrinista

Eliana Silva de Souza, O Estado de S. Paulo

05 Julho 2015 | 10h00

Ele não aparenta ter a idade que tem, está chegando nos oitentinha. Trabalha como um lépido jovem, na flor da idade. Tem ideias que são sempre respeitadas pela equipe. E criou personagens que são sucesso para o público que adora história em quadrinho, a invocada Mônica, o marrento Cebolinha, a gulosa Magali, o sujinho Cascão e o cachorrinho Bidu, entre tantos outros. E a maior novidade no momento é que todos estão de volta ao novo Parque da Mônica, que abre as portas hoje, no Shopping SP Market, em São Paulo. 

Os 80 anos serão completados no dia 27 de outubro, pelo que ele diz, “estão fazendo segredo, não me deixam saber o que estão programando para festejar essa data”. E olha que o cartunista não é muito chegado a surpresas, fica irrequieto, não se conforma em ser deixado de fora, mas o que fazer? Agora quem manda é essa turma, que deve promover as comemorações, mais que justas, a esse ídolo nacional. 

“Existe um comitê de festa, que está organizando alguns eventos, infelizmente, estou proibido de tomar conhecimento, não querem contar nada para mim. Eu detesto segredos, mas, logicamente, é por uma boa causa, eu preciso perdoar”, diz Mauricio sobre os preparativos do seu aniversário, e acrescenta que todos “estão se divertindo muito com tudo isso, mas às vezes dou bronca, pois queria saber algumas coisas, mesmo que fosse para fazer cara de surpresa”. 

Enquanto a data não chega, o cartunista não para. Ele acaba de retornar de uma viagem por países asiáticos. Foi da Coreia, onde uma grande exposição com os personagens da Turma da Mônica está fazendo sucesso, que ele conversou com o Estado. “Pelo que estou sentindo, temos excelentes perspectivas para abertura de mercado. Tanto na área de impresso, licenciamento e na área cultural. Estou com uma exposição enorme sobre a história da Mauricio de Sousa Produções, são 1.500 metros quadrados, no maior museu do país. O que está exposto na Coreia não teve nada parecido até hoje. Lindo ver as crianças se divertindo, com as histórias, os filmes, os objetos. Daí reagem como brasileirinhas”, conta o animado Mauricio. “Apesar de ser uma cultura muito diferente da nossa, essa reação dos visitantes mostra que nossos personagens e suas características são realmente universais, são percebidos da mesma maneira que outras crianças”, comemora. 

O empresário. Mauricio de Sousa é um homem positivo, diz que é exatamente nesse momento difícil que o País atravessa, que ele quer ser uma força contrária ao que está acontecendo, “quero nadar contra a corrente, quero fornecer boas e novas notícias, sobre negócios, novos contratos e negócios internacionais. Quero mostrar que é possível, no meio de uma crise, se inventar caminhos novos”. 

Sucesso com gibis da Turma da Mônica, já faz um tempo que Mauricio e sua equipe cavam seu espaço na internet. “A internet tende a ser uma segunda realidade nossa, tão importante quanto a atual. Vamos lançar também publicações digitais, já temos até material preparado pra isso”, conta. 

Além de todo o investimento no mercado externo, no Brasil também tem novidades. O novo Parque da Mônica é uma delas, que inicia atividades com a intenção de proporcionar ao público infantil muita diversão. “Fizemos boas parcerias para reabrir o parque, está muito lindo e temos um sistema de colocar adultos e crianças no mesmo brinquedo, praticamente todos os brinquedos são assim. Será um parque para a família”, comemora. 

Início. Como Mauricio de Sousa entrou na grande mídia? Ele começou como repórter policial. Isso foi por um tempo, para conseguir entrar no mercado e depois de um tempo se colocar com o desenhista que sempre quis ser. “Foi mais ou menos um acidente de percurso. Queria entrar no jornal, me disseram para pegar o fosse possível, e a reportagem policial me foi oferecida, aceitei. Fiquei na reportagem durante 5 ou 6 anos, período em que aproveitei para saber tudo sobre negociação das HQs americana, da brasileira, como cobravam, vendiam, traduziam, estudei tudo isso enquanto era repórter - até achar que estava pronto, criei os personagens e fui vendendo como o americano vendia”. 


Mais conteúdo sobre:
mauricio de sousaquadrinhosHQ

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.