Matthew Fox tenta conciliar Lost com o papel de pai

Matthew Fox já experimentou o sucesso nos anos 90 quando participou do elenco da série ´Party of Five´ (´O Quinteto´). Na pele de Charlie, o galã ganhou fama de bom moço e fama imediata. Com o fim do seriado, o ator decidiu dar um tempo na carreira televisiva para apostar mais em seu trabalho. Uniu-se a um grupo teatral pequeno e lá obteve algumas respostas. Descobriu que ser famoso e integrar um programa popular é tão bom para sua carreira quanto atuar para uma platéia de oito pessoas. E foi assim que o astro chegou em ´Lost´, para interpretar o médico e líder Jack.O que Matthew ainda não descobriu é como conciliar o ofício e o papel de pai com perfeição. Em coletiva de imprensa em Los Angeles (EUA), o ator fala mais de sua vida e de se papel em ´Lost´. Conte mais sobre a jornada de Jack na segunda temporada de ´lost´.Matthew: Acho que a primeira temporada tratou sobre a formação de sua liderança. Ele foi eleito líder e relutou em lidar com isso. No final do primeiro ano, ele chegou a um ponto em que finalmente se resignou ao fato de que esse será seu posto e que ele terá de assumi-lo. O segundo ano será um desafio porque, uma vez que você tem esse ambiente caótico, onde as pessoas estão confusas e elegem um líder, o próximo passo é que eles comecem a trair esse poder, a conspirar contra a situação de algumas formas. A segunda temporada será um desafio para Jack lidar com isso. Será uma experiência de aprendizado.E a relação entre Jack e Kate?Matthew: Acho que Jack realmente se sente atraído por Kate de uma forma intensa. Acredito que, ao longo da história, eles ficarão próximos um do outro e depois irão voltar atrás e isso é divertido de interpretar. É interessante e sutil. Gosto muito disso. Você disse o ano passado que, com o isolamento do trabalho no Havaí, estava meio que protegido do efeito do show sobre o público. Como é sair de lá e perceber o fenômeno em que ´Lost´ se tornou?Matthew: Toda vez que volto ao continente, é incrível ver quantas pessoas estão assistindo ao show e como estão comprometidas com ele - o quanto o show faz parte de suas vidas. Os fãs são tão espertos e percebem tudo o que não está claro e prestam tanta atenção. É realmente incrível. Este ano tem sido um pouco diferente para a gente no Havaí. No ano passado, sentíamos que estávamos trabalhando em uma bolha. Essa atenção do público está começando a chegar a nós lá. É algo que assusta da primeira vez, quando você está pagando um café e as pessoas estão prestando atenção em você. É incrível.Você já experimentou esse sucesso antes com ´Party of Five´ (´O Quinteto´). Agora é diferente?Matthew: Esse é um seriado de muito mais sucesso se você for olhar os números. Então acho que ´Party of Five´ teve 9 ou 10 milhões de espectadores e agora temos mais de 20 milhões de espectadores por episódio. E se você for falar do que está sendo feito internacionalmente, a atenção sobre ´Lost´ é maior do que tudo o que já experimentei, então há um monte de coisas novas que são excitantes e desafiadoras. Há também o lado ruim disso tudo...Matthew: Como tudo na vida, há prós e contras. Há invasão de privacidade, mas depois, você pensa: você sabe o quê? Isso é produto do fato de eu estar trabalhando no seriado mais bacana do planeta atualmente e isso é ótimo. Aí você meio que aceita isso - é um pouco decepcionante... Quer dizer, adoro pessoas que estão assistindo algo em que acredito e em que coloco tanto tempo, energia e paixão. É muito gratificante para mim quando alguém te acorda na primeira classe, não diz nada para você e estende uma caneta e um pedaço de papel e espera que você lhe dê um autógrafo - só a aproximação que poderia ser diferente.Você disse no ano passado, que ficava um pouco frustrado de ter de interpretar no escuro - sem saber os detalhes da história. É bom receber algumas respostas nessa segunda temporada?Matthew: Estou surpreso que tenha dito isso, porque sempre achei muito estimulante como ator trabalhar e descobrir o que virá a seguir. Talvez tenha me referido às histórias passadas dos personagens - e ter mais informações sobre esse passado. Mas o fato de não sabermos muito sobre o que aconteceu é uma bela forma de trabalhar. Gosto de estar em uma posição em que sei tanto quanto Jack. E, como ator, você não tem que se enganar se você sabe exatamente o mesmo que o seu personagem. O trabalho fica mais difícil se você tem mais informação do que o personagem. Então espero o script assim como os espectadores esperam o próximo capítulo. Mal posso esperar para ler e descobrir o que acontecerá a seguir e ir para o próximo nível do meu processo, que é descobrir como irei contar essa história. Como não há como saber o que vai acontecer, você acha que Jack pode morrer e sente alguma pressão na hora de renegociar salário?Matthew: Adoro o fato de que esse é um show em que você acredita que qualquer personagem pode morrer. Acho que Damon (Lindelof, criador) e Carlton (Cuse, produtor-executivo) criaram um mundo que é cheio de perigos, mistérios e obstáculos e temos pessoas morrendo nessa ilha e personagens que se foram e que o público nem teve a chance de se apaixonar por eles. Então será muito interessante ver se esses caras levam isso para um próximo nível e se alguém vai morrer - alguém que o público ama. Acho que essa possibilidade é muito importante para o show.Após ´Party of Five´, os atores da série tentaram continuar no ramo e você não. Você decidiu se afastar de Hollywood e agora, está novamente de volta. Como você se sente com esse retorno?Matthew: Isso sempre foi um processo para mim, uma espécie de batalha comigo mesmo. Quando terminei ´Party of Five´, me envolvi com um grupo de teatro e estava atuando em peças para, às vezes, uma platéia de oito pessoas. Fiz isso por um ano e meio. Foi uma tremenda experiência e trabalhei com pessoas incrivelmente talentosas. E, saindo de ´Party of Five´, estava me atirando nessa luta interior e, como ator, ambas experiências são gratificantes. E como recompensa dessa minha percepção, eu pude caminhar entre esses dois meios de levar minha carreira e "boom", aqui estou, trabalhando em ´Lost´, esse fenomenal sucesso comercial visto mundialmente. É uma resposta admirável para uma batalha que irei sempre travar.Jack quer agora formar um exército. Há algum risco de ´Lost´ se tornar uma série de guerra ou algo do gênero?Matthew: Jack está mostrando um lado que está fora de sua natureza de compaixão e heroísmo e isso é ótimo para ser explorado em ´Lost´. Acho que é por isso que me sinto tão estimulado em participar do show. Nós travamos lutas com esses tipos de questões que estão presentes em ´O Senhor das Moscas´ (obra de William Golding), em que vemos que os personagens são tons de cinza. Não há branco nem preto.Mesmo com os fãs tentando chegar a vocês no Havaí, você se sente seguro morando lá?Matthew: Sim. Há algumas pessoas que viajam ao Havaí para seguir o elenco e tirar fotos para vendê-las às revistas.Estávamos falando sobre Jack virar um guerreiro. Há um pouco disso na sua personalidade, um lado negro, digamos assim, já que você é um cara mais família?Matthew: Estipulo um alto padrão para mim como pai, marido, amigo e irmão e meus relacionamentos são o que realmente importam. Então tento ser o melhor que posso. Se eu falho? Claro que sim.Em quê?Matthew: A maior responsabilidade é ser pai. Acho que todo mundo que tem filhos e também tem ambição - e uma carreira - fica perdido sobre onde investir sua energia. E, como disse, estipulo um alto padrão para mim como pai. Passo tanto tempo quanto preciso com meu filho? Hoje e por um ano e meio, acho que não, porque tenho estado muito ocupado. Acordo pensando em como negociar isso. É tudo sobre organizar seu tempo e isso tem sido importante para mim - eliminar tempo consumindo coisas na minha vida com as quais acho que não posso mais lidar e colocar todo o tempo em coisas que são mais importantes para mim.Você falou que deixou de fazer algumas coisas para ficar com seu filho. Do que você abriu mão?Matthew: Sair, encontrar os amigos. Gosto de sair com meus amigos, ir à festas, andar por aí, mas foi uma das coisas que percebi que não tenho mais tempo de fazer. Isso não significa que não mantenho contato com meus amigos, só que não os vejo tanto quanto gostaria. Faz parte.Como seria o final de ´Lost´ se você pudesse escrevê-lo?Matthew: Não gasto meu tempo pensando nisso porque sei que será algo fenomenal e incrível. Não vejo a hora de chegar lá!Você vai atuar em algum filme?Matthew: Pela primeira vez na minha carreira estou tendo muitas oportunidades e isso é estimulante. Leio muitos roteiros e, por uma ou outra razão, esse lugar em que estou é tão estimulante. Realmente estou lendo roteiros ótimos, conhecendo pessoas maravilhosas e tentando descobrir o que seria bom fazer no meu tempo longe de ´Lost´. Sabe, ´Lost´ é o meu foco. É a base da minha vida atualmente e estou colocando toda minha energia no show. Se encontrar algo que se encaixe nesse intervalo ficarei feliz.

Agencia Estado,

19 de fevereiro de 2006 | 09h40

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.