Matracar une folclore com movimento contemporâneo

Matracar, segundo o Dicionário Aurélio, significa matraquear, repetir, amolar, insistir, persistir e, no caso da Cia. Alaya Dança, significa resistir. Essa é a tônica do espetáculo, que não por acaso foi batizado de Matracar, para comemorar os 15 anos de atuação do grupo sob o comando de Lenora Lobo, que teve sua estréia ontem no Sesc Santana. "A coreografia é um grito de resistência cultural, procura recuperar a poesia na dança, além de interagir com a platéia", define a diretora e coreógrafa. Toda a poética e interatividade veio do folclore, uma das fontes de inspiração da companhia. O grupo de Brasília partiu das danças típicas do Maranhão, a partir de pesquisas e laboratórios realizados no Boi do Sr. Teodoro, um centro cultural que preserva danças típicas como o bumba-meu-boi, para colher material coreográfico. "Matracar nasceu da apresentação de um solo com matracas da bailarina Cristiane Lapa. Fiquei encantada com a pesquisa sonora e a companhia saiu a campo", diz Lenora. Os intérpretes fizeram aulas, assistiram a shows e levaram para o estúdio associações e interpretações das danças populares para a dança contemporânea. "Olhamos para a dança popular, resgatamos a figura do brincante dentro da cena contemporânea, mas não nos fixamos em seqüências estabelecidas dessas danças típicas, demos a nossa interpretação. Somado a isso, juntamos o som percussivo dos corpos, ao mesmo tempo que criamos músicas e utilizamos canções tradicionais." A coreografia é dançada em um espaço circular, o que aproxima o público dos artistas. O processo de criação de Matracar faz parte de um método próprio de pesquisa de Lenora Lobo, denominado teatro do movimento, com forte influência das técnicas de Rudolf Laban e de Klauss Vianna. A resistência cultural de Matracar também tem como sentido a persistência, a luta para manter uma companhia por 15 anos sem patrocínio ou suporte financeiro. Para esta turnê, que passou por Belo Horizonte e Rio, o grupo teve apoio dos Correios e do Sesc. Ontem, após a apresentação do espetáculo, os artistas participaram de um debate e do lançamento do livro A História Que se Conta, de Iara di Cunto e Susy Martinelli, sobre os 45 anos do movimento de dança em Brasília. A Companhia Alaya de Dança fará apresentações gratuitas em São Bernardo do Campo e na Praça Poupatempo na Sé. Matracar. Sesc Santana (349 lug.). Avenida Luiz Dumont Vilares, 579, Santana, 6971-8700. Hoje, 21 horas. R$ 4 a R$ 10. Poupatempo. Praça da Sé. 2.ª, 13 horas. Grátis

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