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Matlock punk nas picapes

No papel de DJ, ex-integrante dos Sex Pistols baixa em São Paulo e fala ao Estado

Jotabê Medeiros, O Estado de S.Paulo

26 de maio de 2011 | 00h00

No disco que chegou a ser considerado o segundo mais importante do rock britânico, Never Mind the Bollocks, dos Sex Pistols, ele é coautor de 10 das 12 faixas. Aos 54 anos (fará 55 em agosto), Glen Matlock ajudou a forjar o que ficaria conhecido como punk rock, mas nunca se acomodou. Ao deixar os Pistols, em 1977 (seria substituído por Sid Vicious na banda), ele fundou o grupo The Rich Kids, e em seguida tocou com Iggy Pop, Johnny Thunders, Frank Black (Pixies), Dead Men Walking, entre outros atos. Adorado pelos seguidores, como Libertines e pelo Primal Scream, é um súdito leal do rock"n"roll.

Sua lenda desembarca aqui no fim de semana, para o Cultura Inglesa Festival, mas não com sua banda atual, The Philistines (que está lançando o disco Born Running) - nem com The Faces, o lendário grupo setentista com o qual ele anda excursionando. Matlock chega como DJ, para envenenar a pista de dança (já esteve aqui em 2007, também como DJ, e tocou no Clash Club, na Barra Funda). "Devo tocar uma ou duas canções dos Pistols, mas eu sempre me divirto tocando minha própria música, e o resto é surpresa. É basicamente rock de garagem o que toco", disse ao Estado, por telefone. Pelo menos uma das informações que Matlock passou na entrevista vai fazer salivar os fãs do rock: The Faces pode desembarcar no País no segundo semestre.

"Vamos fazer uma turnê mundial em julho. Vamos à Holanda, depois ao Japão, e talvez a gente depois vá à América do Sul, eu sinceramente espero ir", afirmou. The Faces, lendário grupo dos anos 70 que tinha Rod Stewart nos vocais, foi reagrupado para alguns shows. Além de Matlock no baixo, o Faces tem tocado por aí com Mick Hucknal, do Simply Red, nos vocais; o stone Ronnie Wood na guitarra; Ian McLagan nos teclados; e Kenney Jones na bateria, e é provavelmente essa a formação que virá ao Brasil. "The Faces foi uma das maiores influências da minha vida. Quando eu tinha 13, 14 anos, foi o primeiro show a que fui na vida. Eu e Steve Jones, dos Sex Pistols, adorávamos os Faces, íamos aos shows. Eu aprendi linhas de baixo ouvindo seus discos. Se você prestar atenção, as linhas de baixo em Anarchy in the UK, dos Sex Pistols, são quase iguais às de Had Me a Real Good Time, dos Faces. A guitarra de Steve copiava a guitarra de Ronnie Wood e eu copiava o baixo de Ronnie Lane", confessou.

O novo grupo de Matlock, The Philistines, tem uma formação eclética. Na bateria, um luxo: o baterista Javier Weyler, integrante dos Stereophonics. Sobre afinidades artísticas com essa banda, Matlock é curto e grosso. "Não musicalmente. Acho que soamos mais pesados do que o Stereophonics, eles têm mais baladas. Javier me foi apresentado pelo Jim (James Stevenson, guitarrista também da geração School of 76), que é um dos meus melhores amigos", afirmou.

Matlock é cortejado pelos novos grupos britânicos. Tocou com Bob Gillespie, do Primal Scream, no The Silver Machine, por exemplo. Mas parece mais ligado ao rock"n"roll pré-punk, e The Philistines vai nessa direção. É um tanto quanto quadradinho, no entanto. Outro dia, ele estava num teatro acompanhando a reunião dos Libertines, com Carl Barat. "Mas não toquei com os Libertines. Um amigo meu fez um filme sobre eles, e eu fui na première, foi isso que aconteceu. São amigos, mas nunca tocamos juntos."

Matlock tem uma trajetória eclética pelo mundo do rock, mas se alguém lhe pede para dizer qual foi o momento mais marcante, ele não vai pinçar algum flash da revolução que ajudou a fazer, o punk rock. "O melhor show da minha carreira foi ao lado de Iggy Pop. Toquei com Iggy em Nova York, durante um show de Halloween, todo mundo fantasiado, e a Debbie Harry, do Blondie, estava vestida de bruxa nos bastidores. Aquela foi uma noite extraordinária."

Em 2007, quando veio pela primeira vez como DJ, ele falou de sua motivação nas picapes. "São tantos discos bons para tocar, sobre os quais as pessoas sabem pouco. É uma forma de educação".

15º CULTURA INGLESA FESTIVAL

Programação completa: http://festival.culturainglesasp.com.br/

Confira os destaques do Cultura Inglesa Festival, que vai ocupar 15 locais da cidade

Teatro

Criada para o rádio, Ivan e os Cachorros ganhou o palco e tem sessão amanhã, às 21h, no Cult. Inglesa Pinheiros.

Visuais

Paulo Almeida expõe Reflecting the Collection, no Espaço Cultural David Ford - CBB, amanhã a 30 de julho.

Dança

Desorientações questiona a interação do corpo com o espaço cênico, amanhã, Sala Crisantempo (R. Fidalga, 521)

Shows

Blood Red Shoes e Gang of Four tocam domingo, a partir das 11 horas, no Parque da Independência.

Cinema

Unmade Beds tem sessão amanhã, 18h, no Cine Livraria Cultura. Depois, debate com o diretor Alexis dos Santos.    

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