Masp recebe obras roubadas, mas ainda enfrenta clima de denúncia

Apenas parte do novo sistema desegurança do Museu de Arte de São Paulo (Masp) estaráfuncionando quando a instituição reabrir para o público nasexta-feira, após o pior incidente de sua história, com o roubode telas de Picasso e Portinari em dezembro. A administração do museu, que recebeu críticas pelafragilidade da segurança, também enfrenta denúncias defuncionários sobre o descaso com o edifício, um cartão-postalda cidade. O prédio do Masp, da arquiteta Lina Bo Bardi,apresentaria três pontos de goteiras toda vez que chove. Apresidência nega. Segundo três funcionários, que pediram para não ter seusnomes divulgados, o Masp também funcionaria sem a presença debombeiros. O presidente do museu, Julio Neves, não negou a falta debombeiros e ainda admitiu que estão "fazendo todas as revisõesjunto com o Corpo de Bombeiros". Sobre o novo esquema de segurança, o presidente afirmou queduas empresas estão ajudando na instalação de equipamentos deúltima geração -- a LG Eletronics e a GP Guarda Patrimonial. ALG irá instalar sistema equivalente ou melhor do que possui omuseu do Louvre, em Paris, segundo Neves. Mas todo o sistema, que terá peças vindas de fora, nãoestará pronto até sexta-feira. "Vai estar funcionando o sistema de segurança (antigo).Agora, vamos trocar (o sistema) nessa evolução, na medida queeles (equipamento novo) chegarem", acrescentou Neves durante aentrevista, da qual também participou o secretário Estadual deSegurança Pública, Ronaldo Marzagão. Neves admitiu, no entanto, que "só Deus pode garantir o quevai acontecer". Nesta quarta-feira, a Polícia Civil de São Paulo entregouao museu as obras roubadas, consideradas as principais doacervo, em uma operação nesta manhã que contou com mais de 10viaturas, helicóptero e homens armados de fuzis. Curiosos que se aglomeraram no vão livre do museu para vera entrega de "Retrato de Suzanne Bloch", do pintor espanholPablo Picasso, e "O Lavrador de Café", de Cândido Portinari, aplaudiram na hora da chegada dos quadros. A polícia recuperou as obras na terça-feira, em uma casa emFerraz de Vasconcelos, região metropolitana da capital. Duaspessoas foram presas por suspeita de envolvimento no crime, euma terceira ainda é procurada. INVESTIGAÇÃO Pouco também foi dito sobre as investigações do roubo. Sobre a informação de um possível pedido de resgate de 10milhões de dólares pelas obras e que os bandidos receberiam 5milhões de reais pelo serviço, publicada pelo jornal Estado deSão Paulo, o secretário Marzagão não confirmou, nem negou. Disse apenas que "as investigações são sigilosas". "Não voufalar nada, porque senão eu atrapalho (as investigações)",disse. O roubo no Masp por três ladrões em uma ação de trêsminutos com um macaco hidráulico e um pé-de-cabra detonoudiscussões sobre a qualidade da administração do museu. A segurança era feita por homens desarmados, e as obras --avaliadas em 55 milhões de dólares -- também não tinham alarmesou sensores. Antes do roubo, duas tentativas foram feitas,supostamente pelos mesmos ladrões, segundo a polícia. O governo federal e a Prefeitura demostraram interesse emparticipar do conselho do museu. O Ministério Público Estadualanalisa documentos contábeis do Masp para avaliar suas dívidase se pode funcionar sem uma intervenção. Neves chamou os que defendem uma intervenção no museu de"oportunistas", mas afirmou que toda ajuda é bem-vinda. Arquiteto há mais de 10 anos na presidência do Masp, Nevesrepetiu que não será mais candidato após o fim do seu mandatoem outubro.

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