Masp quer adquirir terreno vizinho

O vizinho ideal para o Masp é o próprio Masp. Essa é a opinião do Presidente do Museu de Arte de São Paulo, arquiteto Júlio Neves, que tem interesse em adquirir a área de 1,75 mil metros quadrados localizada ao lado do museu, na esquina das ruas Plínio Figueiredo e Carlos Comenale. O terreno - dividido entre um estacionamento e uma área desocupada - foi colocado à venda recentemente pela imobiliária Cushman & Wakefield Semco, com a resolução de questão judicial entre as famílias Choffi e Abdalla. O preço do imóvel assusta. Segundo o mercado imobiliário, o valor do terreno estaria estimado entre R$ 10 e 12 milhões. "Nossa única esperança é a iniciativa privada", explica Neves. Mais espaço - O presidente do Masp afirma que o museu precisa de mais espaço para expor suas obras de arte. "Mais de 50% do nosso acervo fica guardado o ano inteiro. A necessidade de expandir nossas atividades foi uma das razões que nos motivaram a investir no novo projeto." Neves se refere à recuperação da Galeria Prestes Maia, centro da capital, que receberá obras do Masp. O presidente do museu admite que levantar a quantia para comprar o terreno será uma tarefa árdua. "A última reforma do Masp foi em parceria com a iniciativa privada e custou R$ 16 milhões. Levamos três anos para viabilizar o projeto", lembra. Para Luiz Antônio Pompéia, diretor da Empresa Brasileira de Estudos do Patrimônio (Embraesp), o terreno ao lado do Masp é o mais valorizado da Avenida Paulista, mas não é o único. "Na esquina da Rua Ministro Rocha Azevedo, há uma área de cinco mil metros quadrados à venda", informa.O Museu de Arte de São Paulo, um dos prédios mais importantes da arquitetura modernista brasileira, foi projetado em 1957 pela arquiteta Lina Bo Bardi e inaugurado 11 anos depois por seu marido, Pietro Maria Bardi. Prédio comercial - Apesar do interesse do Masp, a imobiliária responsável pela venda do terreno afirma já ter um projeto aprovado pela prefeitura que prevê a construção de um prédio comercial de 14 andares no local. Marcelo Ferraz, arquiteto e diretor executivo do Instituto Lina Bo e P.M. Bardi, não acredita que o projeto seguirá o conceito modernista. Mas espera que não seja "modernoso". "Está na moda a construção de prédios de vidro, impessoais, sem referência à nossa cultura arquitetônica. São projetos "globalizados", com conceitos importados, pobres, que não tem identificação com a cidade", declara Ferraz. O arquiteto, que trabalhou com Lina Bo Bardi durante 15 anos, acredita que, pior que a aparência, é o conceito "egoísta" desses prédios. "O Conjunto Nacional, na esquina da Rua Augusta com a Avenida Paulista, é um exemplo a ser seguido. O prédio é comercial, mas tem uma área comum agradável, que permite o deslocamento e lazer da população", completa.

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