Masp exibe 'A Natureza das Coisas' com obras de seu acervo

Volta ao cartaz no museu 70 obras datadas até o século XX e que têm como mote paisagens e naturezas-mortas

Camila Molina, de O Estado de S. Paulo,

23 de abril de 2008 | 15h24

Se você for nesta quinta-feira, 24, ao Masp para ver uma das obras-primas do acervo, o quadro Rosa e Azul - As Meninas Cahen d’Anvers (1881), de Renoir, não vai encontrá-lo no segundo andar do prédio, piso dedicado à mostra permanente da coleção do museu. Seria como ir ao Museu do Prado, em Madri, e não ver Las Meninas de Velázquez.   Veja também: Fotos da montagem de 'A Natureza das Coisas'    Rosa e Azul está agora "descansando" na chamada reserva técnica do Masp, espaço dos museus onde são armazenadas em condições supostamente ideais as obras não expostas. O curador-chefe da instituição, Teixeira Coelho, explica que Rosa e Azul volta ao público só em outubro, na mostra Olhar e Ser Visto (A Arte do Retrato), quarta e última exposição do projeto de renovação e mudança física do acervo do museu.   Dentro desse mesmo ciclo, foi aberta, em outubro do ano passado, A Arte do Mito - com curadoria de Roberto Magalhães, que explora temas e personagens mitológicos. E nesta quinta, 24, será inaugurada A Natureza das Coisas, com 70 obras datadas de entre o século 17 e 20 e que têm como mote paisagens e naturezas-mortas. Em junho, será a vez de Virtude e Aparência (A Caminho do Moderno). A idéia do curador é que, no fim do ciclo, todas fiquem em cartaz ao mesmo tempo.   Por que a escolha de divisão temática da coleção? "Há décadas que havia aquela organização clássica e antiga de mostra do acervo, baseada em modelo do século 18 ou 19 de dividir as artes por nações (italiana, francesa,etc.)", diz Teixeira Coelho, que propôs, quando entrou no cargo de curador da instituição, em agosto de 2006, promover uma mudança desse setor tão importante do Masp, reconhecido por sua coleção. "O acervo é forte em paisagens e retratos e isso tinha de ser usado. A montagem de cada mostra pode promover algo que acredito ser muito positivo: a comparação por coisas diferentes. Obras de distintos momentos, estilos, artistas, colocadas lado a lado, se transformam na melhor forma de se aprender arte, fica tudo mais claro. Inclusive era uma maneira de colocar os brasileiros, que ficaram relegados", afirma o curador, que tem seu contrato firmado até setembro.   A exposição A Natureza das Coisas é feita de núcleos que vão da grande paisagem - "o homem pequeno diante de grande campo e grande céu", diz o curador, iniciando com telas do século 17 de Frans Post; passa pelas obras da "arborescência", em que "árvores que sobressaem na paisagem agradável" são o tema - O Grande Pinheiro (1892- 96), de Cézanne, e A Grande Árvore (1942), de Chaim Soutine; pelos "parques e jardins", com Passeio ao Crepúsculo (1889-90), de Van Gogh, e A Canoa sobre o Epté (1890), de Monet; marinhas; a cidade; até chegar às naturezas-mortas e flores, finalizando com a tríplice união de A Compoteira de Pêras (1923), de Léger, Natureza-Morta com Melancia e Cacto (1948), pastel sobre papel de Picasso; e Composição com Vários Desenhos Meus (1983), de Carlos Scliar.   O respiro da mostra da coleção do museu neste projeto de Teixeira Coelho também foi pensado de acordo com a limitação física do espaço. Esse segundo piso destinado ao acervo comporta cerca de 220 obras - e o Masp é dono de quase 8 mil peças. Mas é certo, segundo o curador, que todas as obras-primas do Masp estarão no espaço expositivo do segundo andar até o final do ciclo de quatro mostras. O momento é também de remodelação da iluminação das obras - algo bem problemático no Masp, mas creditado ao fato, segundo o curador, de o prédio ser uma construção modernista e ter paredes de vidro encobertas com persianas.     Natureza das Coisas. Masp. Av. Paulista, 1.578, 3251-5644. 3.ª a dom., das 11 h às 18 h; 5.ª, das 11 h às 20 h. R$ 15 (3.ª grátis). Abertura nesta quinta, 24.

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