Masp encerra jejum de 40 anos sem doações

Um par de esculturas chinesas põe fim a quatro décadas de jejum no Museu de Arte de São Paulo (Masp). Desde a década de 60, o museu criado por Assis Chateaubriand não recebia uma doação. Segundo a direção da instituição, as peças dão início à constituição de uma coleção de arte chinesa no Brasil. O Masp, contudo, não informa quais e quando outras obras serão incorporadas ao acervo.Para celebrar a aquisição, avaliada em US$ 1 milhão, será aberta gratuitamente amanhã, dia do aniversário da cidade, a exposição das estátuas denominada Os Guerreiros Tang. A entrada franca só é válida para esta sexta. Depois serão cobrados os ingressos (R$ 10 ou R$ 5) para a mostra que se estende até o dia 28 de fevereiro.As duas esculturas em terracota policromada pertencem à dinastia dos imperadores Tang, responsável por governar a China entre 618 e 907. Representam dois guerreiros de tamanhos quase naturais (130 e 133 centímetros de altura) e em posições complementares. Enquanto um apóia a mão esquerda no quadril e levanta a direita em posição de combate, o outro exibe a atitude contrária.A função das imagens era religiosa. Elas protegiam o túmulo dos mandarins do império, compondo um séquito de esculturas representando oficiais civis e militares, guardiões reais e guerreiros de elite. Esse exército de imagens, de inspiração budista, era colocado na entrada e no interior das câmaras mortuárias para protegê-las da presença de maus espíritos e afastar os profanadores de túmulos.Os Guerreiros Tang vieram da galeria de arte Vanderven & Vanderven Oriental Art, sediada na Holanda. O Masp informa que o laudo de identificação das esculturas conclui que se trata de cerâmica queimada pela última vez entre 900 e 1500 anos atrás. A imagem de terracota, segundo o mesmo laudo, é policromada do tipo "lokapala", figura destinada à guarda de túmulos, o que atesta sua origem na dinastia Tang.Durante o período em que a China foi governada pelos imperadores dessa dinastia, a cerâmica tornou-se perfeitíssima e ganhou lugar de destaque na vida cotidiana. Nessa época passou-se a construir grande variedade de peças e estatuetas para serem depositadas nos túmulos dos grandes senhores, para, segundo a tradição, servi-los no outro mundo da mesma maneira como tinham sido servidos em vida por seus empregados. Assim a nobreza mantinha sua posição social mesmo depois da morte.A imaginária desse período, fortemente calcada em figuras e alusões guerreiras, reflete o militarismo que tomou conta do império chinês no período. Os senhores da dinastia Tang mantinham o poder com mão firme. Desconfiados das lutas civis que levaram os regimes anteriores à ruína, estabeleceram uma guarda imperial de elite constituída de seis regimentos de infantaria - todos com alabardas à mão - e seis regimentos de cavalaria. Outros três regimentos de cada arma protegiam o príncipe herdeiro. Foi durante essa período que as artes marciais ganharam musculatura na China, com forte influência do Kung Fu.A dinastia Tang também legou ao mundo o bonsai, arte de árvores em miniatura, que se espalhou pelo oriente graças aos monges budistas. Essa religião, a propósito, teve grande influência no Estado e nas artes chineses na era Tang, com casamentos entre príncipes e princesas chineses e nobres tibetanos, o que abriu as fronteiras do império à filosofia dos seguidores de Buda. Guerreiros Tang, no Masp (Av. Paulista, 1.578, tel.: 251-5644). Amanhã entrada gratuita, de 11h às 18h. Até 28 de fevereiro, de terça a domingo, no mesmo horário. Ingressos R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia), gratuita para crianças de até 10 anos e para maiores de 60 anos.

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