Masp discute plano para sair da crise

Enquanto acena para uma saída de sua letargia cultural, o Masp ainda patina nos velhos problemas administrativos. A diretoria do museu se reuniria nesta terça-feira, na sede da Avenida Paulista, às 17h30, para examinar o retrato que foi diagnosticado no fim do ano passado pela consultoria empresarial Deloitte: dívidas, falta de investimentos novos, incapacidade de captação de recursos. A Deloitte foi contratada para fazer mais do que um diagnóstico: deveria elaborar um projeto de "reformulação do modelo de gestão financeira do museu e a definição de estratégias de marketing e posicionamento com o objetivo de alavancar novas oportunidades para a sustentação operacional do museu", segundo nota distribuída no ano passado. O projeto coordenado pela Deloitte estaria orientado em três frentes básicas: imagem e atualidade dos museus, operações e finanças e ações estratégicas de curto, médio e longo prazos. Cumpre saber quem estaria habilitado, dentro do Masp, a orientar essas ações. Em novembro, o arquiteto e empresário Júlio Neves foi reeleito por unanimidade para seu sétimo mandato à frente do museu, mas apesar da ampla maioria que o elege continuamente, há conselheiros que não vêem futuro para a instituição enquanto ela estiver em suas mãos. Neves desgastou-se muito na crise recente, que acabou levando a Eletropaulo a cortar a luz do museu. Foi feito um acordo e o Masp tem cumprido os pagamentos. Com a chegada de um novo governador ao Palácio dos Bandeirantes, sua situação junto às estatais para quem o Masp deve só piora, já que o novo governo não é exatamente simpático ao presidente do museu. Seu mais ambicioso projeto continua sendo a construção da Torre do Masp, no prédio vizinho ao museu, que garantiria uma fonte permanente de recursos. Mas a torre foi vetada pelo Patrimônio Histórico. O Masp recorreu à Justiça, mas a discussão jurídica não chega ao fim - enquanto isso, o museu definha, porque não tem outra perspectiva. Em vez de arrumar dinheiro, o Masp ainda perde. Em dezembro, o museu foi condenado pela Justiça de São Paulo a indenizar em cem salários mínimos (R$ 35 mil) uma freqüentadora, que caiu da escada de acesso ao restaurante do museu. Uma perícia concluiu que o acidente se deu por falta de segurança na escada, que não possuía corrimão (exigência da legislação). Após o acidente, o museu reformou a escada, reduzindo sua inclinação, trocando o piso e instalando corrimões. "Os problemas persistem. O que esperamos é que agora venha um projeto mais forte, exeqüível, com uma solução macro. Não é mais possível continuar do jeito que estava", diz um conselheiro influente do museu, que prefere não se identificar.

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