JB Neto/Estadão
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Masp busca parceria com empresas para sair da crise financeira

Entidade precisa de mais dinheiro e nova direção para salvar o principal museu de São Paulo

Antonio Gonçalves Filho, O Estado de S. Paulo

10 de abril de 2014 | 03h00

A crise financeira do Museu de Arte de São Paulo (Masp) levou a instituição a buscar apoio na iniciativa privada, em busca de uma saída para o pagamento das dívidas assumidas para sua manutenção e administração. Com uma dívida em torno de R$ 10 milhões, a direção do Masp iniciou conversas com os diretores do Banco Itaú em busca de parceiros que garantam o pagamento dos compromissos assumidos e a sustentabilidade do museu, sem dinheiro para reformas ou bancar grandes mostras em parceria com instituições internacionais.

A diretoria do Masp confirma que procurou várias instituições "que têm se mostrado sensíveis à causa do Masp, pleiteando a participação abrangente de grupos empresariais neste novo modelo de sustentabilidade que estamos construindo para o museu, também buscando apoio de pessoas físicas nesta empreitada de fortalecimento do museu".

Uma das pessoas chamadas a prestar consultoria sobre a precária situação financeira do museu foi Heitor Martins, ex-presidente da Bienal Internacional de São Paulo, consultor financeiro e um dos sócios da McKinsey & Company, que está em Nova York a negócios. Por causa dessa análise financeira, o nome de Martins era apontado ontem por várias pessoas do meio cultural como o provável candidato a substituir a atual presidente do Masp, Beatriz Pimenta Camargo, o que não foi confirmado pela instituição. "Heitor, sem dúvida, é um nome a ser considerado, em razão do trabalho excepcional realizado à frente da Bienal, porém ainda não há nenhuma decisão concreta sobre este tema até o momento", segundo a diretoria do Masp. O Caderno 2, até o fechamento desta edição, não conseguiu falar com Martins em Nova York.

Em 2008, quando a Fundação Bienal acumulava uma dívida de R$ 4,7 milhões e quase perdera a credibilidade entre produtores culturais, Martins surgiu como o super-homem capaz de salvar a instituição, conseguindo realizar uma mostra memorável e corajosa em 2009, ao bancar um elenco de 150 artistas, entre eles Nuno Ramos, que apresentou uma instalação polêmica, com urubus, embargada pelo Ibama.

Não sem razão, o nome de Heitor Martins circula extraoficialmente como o provável candidato à direção do Masp. A dívida do museu deve ser paga com verba não incentivada, o que levou a direção do museu a buscar parceiros privados como o Itaú para constituir um pool de pessoas jurídicas capaz de sanear sua crise financeira. A captação de recursos para o Masp associada ao nome do Itaú levou a especulações sobre o papel do banco na gestão da instituição. Pouco provável. Para isso, seria necessária uma revisão da governança, dos estatutos e dos quadros de liderança do museu. A direção da instituição não anunciou nenhuma medida nesse sentido.

Com mais de 7 mil peças num acervo avaliado em US$ 1 bilhão, o museu vem enfrentando uma crise financeira há anos. Chegou a ter linhas telefônicas bloqueadas por falta de pagamento, atrasou contas de luz com a Eletropaulo e entrou em confronto jurídico com a Vivo por causa do anexo que está sendo construindo num prédio vizinho, cujas reformas estão paralisadas há anos.

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