Masp apresenta três exposições com obras de seu acervo

A coleção do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (Masp) é reconhecida como uma das mais importantes da América Latina pelas obras de grandes mestres da história da arte nela reunidas - Rembrandt, Cézanne, Rafael, Velázquez são apenas algumas citações. Mas o museu também possui peças de arte brasileira, não somente do modernismo, mas também de contemporâneos. As três exposições que o Masp preparou para o público dão um pouco de amostragem e ênfase nesse outro lado de seu acervo. O destaque é a sala principal do mezanino do museu, onde está uma mostra enxuta de Ernesto de Fiori (1884-1945). O italiano, nascido em Roma, aportou em São Paulo em 1936 - era, portanto, um artista já com formação na Europa, em Munique precisamente, e já reconhecido. Escultor e pintor, essas duas faces de sua produção estão contempladas na exposição, que reúne 27 obras - há desenhos e aquarelas também -, grande parte realizada no fim de sua carreira. Em 1938, em artigo para o Estado, onde foi colaborador, Ernesto de Fiori escreveu que arte não era imitação da natureza, mas "antes de tudo a manifestação livre de uma emoção, isto é, uma manifestação espiritual e não material." A mostra do Masp se inicia com uma pequena série de desenhos de nus e figuras femininas como estudos. Depois, nas paredes, estão as pinturas. Numa paleta clara, mas com pinceladas que demonstram o gestual - esse caráter fica mais explícito na conhecida São Jorge e Dragão, em que os personagens não são feitos de traçados, mas de tinta - elas estão representadas por paisagens em grande parte. Mas, como já afirmou o crítico Sergio Milliet, Ernesto de Fiori retornou à pintura "quando nada mais havia a conquistar na escultura". Porque sua obra tem peso no campo escultórico, colocado no centro da sala. Bustos de gesso representam, entre outras personalidades, o escritor Menotti del Picchia e a atriz Greta Garbo - o primeiro, realizado em 1936, o segundo, em 1937. Nas outras obras reunidas (nunca elas têm a superfície lisa e há também um nu feminino em terracota) não há monumentalidade dos personagens (um deles é até mesmo O Brasileiro). Já no primeiro andar do Masp foi montada a mostra Contrastes, uma seleção de obras de artistas brasileiros e alguns poucos estrangeiros. A exposição compreende trabalhos realizados entre as décadas de 1970 e 1990. À primeira vista os contrastes, indicado no título da exposição, se dão por meio da linguagem formal - e de técnicas e materiais. Uma composição de Tomie Ohtake de 1978 dialoga com a Grávida, tela de Alfredo Aquino, de 1982; a vibração em preto e cinza no centro de tela de Arcangelo Ianelli de 1884 se materializa no objeto de Macaparana, e assim por diante. Ao mesmo tempo, o Masp mostra do lado de fora da sala as obras doadas recentemente pela artista Cybèle Varela. C.M. Ernesto De Fiori, Contrastes e Cybèle Varela. Masp. Av. Paulista, 1.578, metrô Trianon-Masp, 3251-5644. 11h/18h (fecha 2.ª). Agendamento pelo 3283-2585). R$ 10 e R$ 5 (grátis para menores de 10 e maiores de 60 anos, grupos e escolas agendadas). Até 7/5.

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