Masp apresenta mostra 'Desenhos Espanhóis do Século 20'

Exposição propõe recriar vários caminhos percorridos pelos artistas hispânicos no embate com modernidade

Maria Hirszman, especial para o Estado,

10 de junho de 2008 | 16h33

Desenhos Espanhóis do Século 20, a mostra consagrada ao desenho espanhol, que será inaugurada na quinta-feira, 12, para convidados e na sexta para o público no Masp, propõe recriar em largos traços os vários caminhos percorridos pelos artistas hispânicos no embate com a modernidade. Não se trata de um panorama sintético, ou de uma via de caminho único. Dentre as 82 obras selecionadas para a exposição, encontram-se distintas concepções de desenho, que vão desde a idéia de ilustração, esboço de uma idéia, até sua afirmação como obra de arte autônoma e em nada inferior às belas-artes como a pintura e a escultura. Há também flertes com diferentes escolas, com grande ênfase no cubismo e no surrealismo. Veja também:Galeria da mostra 'Desenhos Espanhóis do Século 20'   Como brinca o curador do Masp, José Teixeira Coelho, não se tem impunemente um Picasso e um Dalí em casa, lembrando assim a grande influência dos dois grandes mestres também em seu país natal. No entanto, mesmo tendo como principal chamariz a obra desses mestres - além da dupla podemos citar a presença de outros grandes nomes da arte espanhola como Juan Gris, Joan Miró e Antoni Tàpies -, a exposição tem exatamente como um de seus trunfos a possibilidade de fazê-los conviver e dialogar com obras e artistas bem menos conhecidos. "Temos a tendência em olhar primeiro para os medalhões, enquanto as outras obras vão nos cativando aos poucos. O ideal seria que as pessoas percebessem a beleza do desenho", complementa Teixeira Coelho. Esse panorama abrangente e um tanto avesso a critérios organizacionais rigorosos - volta e meia os parâmetros básicos são subvertidos, como na ampla acepção do desenho ou no recorte temporal amplo (situado entre o final do século 19 e pouco mais da metade do século 20) - se organiza em quatro núcleos principais, que obedecem uma clara organização cronológica: Precursores da Vanguarda; Cubismo e Escola de Paris; A Influência Internacional; e Em Torno ao Surrealismo. Muitas vezes encontramos algo fora da ordem, o que choca nossas idéias preconcebidas. É o caso do belo retrato de espanhola realizado pelo francês Francis Picabia, em 1922, num exemplo clássico de retorno à ordem que não se enquadra à típica imagem do artista surrealista. Aliás, sua presença numa exposição dedicada à Espanha pode parecer estranha, bem como a de outros artistas como a ucrano-francesa Sonia Delaunay e os uruguaios Joaquín Torres-García e Rafael Barradas. Pablo Jiménez Burillo, diretor da Fundação Mapfre, instituição organizadora da mostra, esclarece, ressaltando "o papel fundamental que esses artistas tiveram para impulsionar uma vanguarda espanhola". Responsável pela aquisição e gestão de um acervo de cerca de 1,5 mil obras, Jiménez participa na quinta de um encontro com educadores e artistas (inscrições pelo e-mail educativo@masp.art.br) para tratar dessa exposição que vem itinerando por diversos países nos últimos anos e à qual ele gosta de definir como uma espécie de "conto breve", de narrativa que nos ajuda a entender um pouco mais sobre nós mesmos. Ao longo da exposição é possível perceber que quando Jiménez fala de "nós mesmos", não fala apenas da Espanha. E tampouco se refere a essa grande aventura iniciada com as vanguardas, que teve prosseguimento na Escola de Paris. As obras em exposição, sobretudo quando colocadas lado a lado, expõem as contradições, incertezas e angústias de uma arte marcada por forças e desejos antagônicos, situando-se entre o impulso renovador e o influxo mais conservador. Ambigüidades estas que também marcaram - de maneira talvez ainda mais intensa - a evolução do modernismo brasileiro. Talvez daí derive a sensação de familiaridade que sentimos diante de algumas das obras da exposição e a identificação de questões claramente presentes em artistas brasileiros da mesma geração, como Anita Malfatti e Portinari. A parceria entre o Masp e a Fundação Mapfre também renderá frutos ao público espanhol. Ainda este ano, a organização vinculada à empresa seguradora deverá inaugurar seu novo espaço, na área nobre dos museus de Madri. E deverá ter como uma de suas atrações nessa abertura as obras de Degas pertencentes ao museu paulistano.   Desenhos Espanhóis do Século XX - Coleção Mapfre. Masp. Av. Paulista, 1.578, 3251-5644. 3.ª a dom., 11 h às 18 h (5.ª até 20 h). R$ 15 (3.ª grátis). Até 27/7. Abertura quinta,11, às 19h30, apenas para convidados

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