Masp abriga celebridades em 24 poses

Keith Richards com o rosto transfigurado pela fumaça do cigarro. Uma Thurman fazendo pose de adolescente rebelde e Drew Barrymore com as mãos no volante de um carro em uma noite chuvosa. Estas imagens de celebridades, registradas pelo escocês Albert Watson, são algumas das que serão exibidas na mostra que se abre para o público, amanhã, no Museu de Arte de São Paulo (Masp). Ao todo são 24 fotografias em preto-e-branco, 15 delas escolhidas pelo próprio Watson, tiradas de seu livro Cyclops (Little, Brown and Company), lançado em 97, e outras nove da campanha que o fotógrafo fez para a Lucky Strike, cujos gigantescos painéis podem ser vistos espalhados pela cidade. Especializado em retratar o universo da moda e da publicidade, Watson notabilizou-se mais por fotos que registrou de gente famosa, como as referidas, e outras fotos ainda mais conhecidas que não vieram ao País. Com uma certa dose de humor negro, registrou um perplexo Alfred Hichcock, com um ganso depenado nas mãos. Mick Jagger, por meio de suas lentes, transmutou-se em um homem-leopardo. Cegueira infantil - A escolha do título Cyclops para a publicação, segundo James Truman, diretor-editorial da Condé Nast Publications que assina o prefácio, pode ter mais de uma leitura: uma alusão à pouco conhecida cegueira de nascença em um dos olhos de Watson ou à sua fama de perfeccionista, que se atira, como um herói mítico, à aventura única que é fotografar. A obsessão e o senso de estar cumprindo uma missão a cada trabalho, somados ao seu perfeccionismo e o desejo de seduzir por meio de imagens, acaba tornando a mais estilizada das fotografias uma viagem e uma aventura, completa Truman no prefácio. Encanto da magia - O próprio Watson reconhece o encanto de seu trabalho, logo antes da primeira imagem impressa de Cyclops. "Há uma linha mágica que percorre o caminho que vai do olhar do fotógrafo, no momento em que bate a foto, e vai até a sala escura, onde ele revela o material. Até lá, a decisão de aceitar ou rejeitar a imagem é só dele", interpretou o fotógrafo. Aos 56 anos de idade e 28 de carreira, o escocês formado em arte e design gráfico conta com 270 capas da revista Vogue no currículo e agora se prepara para lançar mais uma obra, Las Vegas, com previsão de chegar às livrarias em julho de 2001. Neste livro, Watson inclui uma outra lista de celebridades que passou por suas lentes mágicas. Figuram entre seus modelos a Família Real Britânica, com o álbum oficial de casamento do príncipe Andrew com a duquesa Sarah Fergusson. Além deles, Watson já retratou o presidente americano Bill Clinton, o ator Al Pacino, a cantora Diana Ross e a modelo brasileira Betty Prado, que posou nua para ele, entre muitos outros. Mas o fotógrafo não se limitou ao mundo dos famosos, publicidade e moda. Ficou conhecido seu ensaio também em preto-e-branco sobre a vida dos detentos na prisão de segurança máxima do Estado de Louisiana, no sul dos Estados Unidos. Há três anos, alguns de seus trabalhos, sob o título O Diário Perdido, foram expostos no Museu de Arte Moderna de São Paulo. Albert Watson no Masp (Av. Paulista, 1.578, tel.: 251-5644), De quinta a domingo, das 11 às 17 h, Entrada franca. Em cartaz até domingo.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.