Masp abre filial no centro na terça-feira

O Museu de Arte de São Paulo só deve reabrir em março, segundo o presidente da instituição, arquiteto Júlio Neves. Enquanto isso não ocorre, o jeito é contentar-se com a primeira "filial", o Masp Centro, que será aberta na terça-feira na Galeria Prestes Maia."Demos um ´tapa´ no espaço, fazendo obras básicas da parte hidráulica, de pintura", diz Neves, afirmando que a reforma - que custou R$ 300 mil - não é a definitiva. "Não vamos conseguir melhorar o Centro se não tivermos uma política cultural para aquela região, e o Anhangabaú está meio vazio", ele pondera, para reforçar a necessidade de inaugurar sua obra a toque-de-caixa.Segundo o arquiteto, o Masp Centro "é a pedra fundamental de algo importante no processo de revitalização daquela área da cidade". Concebida para inaugurar a nova galeria do museu, São Paulo - De Vila a Metrópole é uma exposição basicamente historiográfica, que ilustra como a cidade evoluiu do pequeno vilarejo colonial que era em meados do século até tornar-se a metrópole descontrolada de hoje, pontuada por obras de grandes mestres da história da arte nacional.Entre as fotografias, pinturas e documentos que poderão ser vistos a partir desta terça-feira, predominam as imagens de pouco valor artístico, mas de grande importância iconográfica, como as do Páteo do Colégio em 1860 ou do Largo de São Bento em 1894. No campo específico das pinturas, é interessante notar um certo predomínio das paisagens assinadas por estrangeiros, como Raphael Galvez, Nicola Verdi Petti, Ottone Zorline ou Vittorio Gobbis.A mostra também abre espaço para artistas pouco associados à paisagem paulistana, mas que, de uma maneira ou de outra, estão intimamente ligados à história da cidade, como José Pancetti, Emiliano Di Cavalcanti e Aldemir Martins. Apesar da origem italiana (seu nome de batismo é Giuseppe Gianinni) e de ser usualmente associado à Bahia, onde realizou as mais belas marinhas da arte brasileira, Pancetti nasceu em Campinas e foi marinheiro durante muitos anos. Começa como pintor de paredes em São Paulo, onde também realiza sua primeira individual, em 1945.Di Cavalcanti, representado na exposição por uma surpreende tela em que retrata casarões paulistanos, também é figura central da história da arte paulista, tendo sido o mentor do projeto da Semana de Arte Moderna, um primeiro sinal da revolução de hábitos e costumes que estava por vir.Aldemir Martins, nascido em Ingazeira (Ceará) em 1922, é um dos poucos pintores vivos representados na exposição - que tem entre suas principais atrações obras assinadas por mestres como Tarsila do Amaral, Cândido Portinari, Lívio Abramo, Geraldo de Barros e Bruno Giorgi - este um admirador declarado de São Paulo.Júlio Neves questionou as críticas ao fato de alguns espaços públicos da cidade estarem sendo cedidos a particulares pelo prefeito Celso Pitta nos últimos meses. "Começo ou fim de governo para mim não importa", ele diz. "Quem está recebendo os espaços são pessoas que estão realizando - e eu enxergo a cidade para daqui a 20, 40 anos, não só para agora."

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