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'Máscaras' usa técnica para seduzir o público

Folhetim, o terceiro de Lauro César Muniz para a Record, estreou com 11 pontos no Ibope

Cristina Padiglione, O Estado de S.Paulo

12 de abril de 2012 | 03h10

A luz nas novelas da Record não é a mesma, ainda bem. Porque embora a emissora já tenha dado provas da evolução dos tempos em seu parque tecnológico de Jacarepaguá, é diante de um script consistente com personagens idem que esse fator passa a fazer alguma diferença. Isso foi o que saltou aos olhos na estreia de Máscaras, terceiro folhetim de Lauro César Muniz para a Record, que estreou anteontem, com 11 pontos de média de audiência no Ibope. Não é má performance para uma estreia de novela fora da Globo, ao contrário.

Há uma tensão permanente no ar. Há a mulher muito surtada por Depressão Pós-parto (Miriam Freeland), que ameaça matar o filho, ameaça se matar, acha-se mal-amada, inútil e foge no meio da noite, claro, com direito a tempestade. Há o marido bonitão tolerante e rico, peça digna de ficção (Fernando Pavão), dono de bela fazenda, primorosa nos detalhes precisados pela direção de arte. Há bebês sequestrados, homens maus e perseguição a caminhão-tanque - você, lá na poltrona, sempre pensa que aquilo pode explodir com requintes espetaculares a qualquer momento. Tem também mulher surtada sem aparente motivo de saúde (Daniela Galli), que seduz o namorado da irmã e se faz de vítima de assédio. Malvada.

Capturar a atenção do telespectador foi obra consumada no primeiro capítulo, trabalho que pede mais técnica do que talento, dada a função de seduzir a plateia para uma nova história. Depressão Pós-parto foi coisa muito bem explicadinha, nos seus mínimos detalhes. Flashbacks deram cabo do contexto em que nasceu e vingou o romance central. O didatismo é algo inexorável a estreias na televisão, veículo que concorre com computador, telefone e campainha que toca, etc. Mas nem isso justifica o jogral protagonizado por Heitor Marinez e Gisele Itiê, o par cafajeste da história. Enquanto explicam a crise americana que os trará de volta ao Brasil, ela, prostituta de luxo, vai se despindo e exibindo as meias sete oitavos, cinta-liga, espartilho. Linda. E tão expressiva quanto uma folha de alface. Ele, amiguinho, massageia os pés da incansável operária do sexo, e, apesar de todos esses elementos, acredite, leitor, é latente a falta de intimidade entre os dois. A cena é fria, sem libido.

A finalização do capítulo, com recurso que congela a imagem do personagem em computação gráfica e lhe veste o rosto imediatamente com uma máscara, tem coerência e competência. Recado direto, simples, bem produzido.

Cortes rápidos nas cenas da fuga da mocinha no meio da noite e, pouco depois, do sequestro, já à luz do dia, alternam externas e cenas de estúdio, dando a dimensão da necessidade de uma narrativa clipada, quase frenética, para frear o impulso do zapping nas mãos do espectador. Sequências que poderiam durar três, quatro, cinco minutos são entrecortadas. A ansiedade em hipnotizar a plateia, no entanto, tropeça em falhas primárias para um primeiro capítulo, normalmente feito com mais esmero que os demais. O áudio do bebê que berra em desespero é repetido à exaustão, evidenciando o efeito copia/cola, de modo que alguns flashes no rosto da criança, já serena, acusam oposição ao som. E de um segundo para o outro, o choro do bebê cessa completamente, denunciando uma edição no mínimo grotesca.

Crítica: Cristina Padiglioni

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