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'Mary Poppins' chega aos 50 anos

Lançamento em Blu-Ray do clássico da Disney antecipa estreia de longa sobre bastidores do filme, no final da semana

LUIZ CARLOS MERTEN, O Estado de S.Paulo

03 de março de 2014 | 02h07

No fim do ano, quando começaram a surgir as listas de melhores da crítica dos EUA, os críticos dividiam-se, no quesito melhor atriz, entre Cate Blanchett, por Blue Jasmine, de Woody Allen, e Emma Thompson, por Walt nos Bastidores de Mary Poppins, de John Lee Hancock. Somente a partir do Globo de Ouro se cristalizou o favoritismo de Cate, que dominava as apostas para o prêmio na madrugada de hoje. Emma, porém, não seria menos merecedora da estatueta. As duas já venceram o Oscar - Cate, como coadjuvante, por O Aviador, de Martin Scorsese. Emma, como roteirista, pela adaptação de Razão e Sensibilidade, de Jane Austen (para Ang Lee).

Walt nos Bastidores de Mary Poppins coloca Tom Hanks na pele do lendário Walt Disney e reconstitui as brigas dele com a australiana P.L. - de Pamela Lyndon - Travers, autora do livro que inspirou o filme. A narrativa toma liberdades com o que realmente se passou. Travers resistiu a vender os direitos e a aceitar as mudanças que Disney queria fazer. Existe documentação que prova que as dissensões artísticas foram resolvidas por meio de memorandos, e não no tête-à-tête que domina a produção.

P.L. foi amante de um dramaturgo casado, integrava um grupo de lésbicas e anunciou que iria adotar par de gêmeos. Na hora H, separou os irmãos e ficou apenas com um. O filme, que estreia na quinta, tem qualidades e Emma e Hanks - ele, usando barbicha - são muito bons. O interessante é que a Disney está lançando, em Blu-Ray, a versão de colecionador do clássico de 1964. São 50 anos do filme de Robert Stevenson. Muita gente vai jurar que ele vendeu a alma ao velho Walt, virando o rei do divertimento familiar. É verdade em parte. Alguns de seus filmes para crianças não são só competentes, como são críticos em relação ao consumismo da sociedade norte-americana.

Mary Poppins virou a versão definitiva da governanta inglesa no cinema (mais que a Deborah Kerr de Os Inocentes, de Jack Clayton). Habita numa nuvem, tem um guarda-chuva que lhe permite voar e carrega sempre uma sacola sem fundo. No começo, um pai ocupado, sem tempo para os filhos, busca uma governanta para cuidar deles. A mãe é omissa e as crianças sonham com alguém que lhes proporcione divertimento. Mary Poppins o faz, e como! Com seu amigo Dick Van Dyke, conduz as crianças por um mundo de magia. Esse mundo 'paralelo' é criado por meio de animação, que se integra à live action.

Uma história de bastidores contribuiu para a aura do filme - Julie Andrews foi preterida pela Warner na superprodução musical My Fair Lady, que impusera seu nome na Broadway. My Fair Lady ganhou os Oscars de filme e direção, mas Audrey Hepburn, que ficou com o papel, viu a rival ganhar o prêmio da Academia por Mary Poppins. O filme - musical - também venceu os prêmios de montagem, efeitos visuais, trilha e canção (Chim-Chim-Cheree). A dança dos pinguins e o número Supercalifragilisticexpialidocious continuam novos como na época em que surgiram.

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