Mart'nália lança álbum com mais pop e menos samba

Seis CDs com mais ou menos os mesmos ingredientes, agenda concorrida de shows pelo Brasil e o mundo, praticamente uma unanimidade entre os fãs de samba, Mart''nália agora quer "fazer outro som, pegar mais pela melodia do que pelo ritmo". Em "Não Tente Compreender" (Biscoito Fino), o CD que está chegando às lojas e que já toca nas rádios, se ouvem teclado, baixo, violão, guitarra, sopros. "Mudei de poesia e fui para o pop, sem cuíca, pandeiro e tamborim", ela avisa, em seu texto de agradecimento.

AE, Agência Estado

23 de abril de 2012 | 11h02

Depois de uma sequência de trabalhos com "a galera de Vila Isabel", calcados na percussão (era um quarteto dedicado ao batuque) e com as cordas do samba, a cantora achou que precisava deixar a tal zona de conforto. "Era tudo lindo e gostosão, mas às vezes, desgastante. Eu já entrava com o jogo ganho."

Pensou logo em Djavan, a quem já havia gravado e de quem admira "o jazz" e o "djú-bidjú-bidjú". "O Dija tem essa melodia que vai para aquele lado que a gente não pensou. Para mim, é um sambista. Se eu posso brincar de outra coisa, posso errar pra caramba, mas vou brincar."

E quem resiste a Mart''nália? A voz mansa, a boa-pracice herdada de Martinho, a risada a toda hora, a despretensão, a molecagem. Djavan até tentou, mas não resistiu - foi preciso persegui-lo depois de shows para convencê-lo. "Me dirige aí!", pedia. "Eu estou me divertindo bastante, é supergratificante. É bem diferente da minha rotina. Martina é ótima e talentosa. A gente conversou muito, as ideias coincidiram. Tudo foi colocado de maneira amorosa e simples", contou Djavan nos depoimentos dos bastidores.

"Não Tente Compreender" é um "disco de amor", sem as letras provocativas e malandras de CDs anteriores, que falavam de flertes e noitadas ("Chega", "Cabide", "Tava Por Aí", "Ela É Minha Cara"...). Mart''nália pediu e recebeu músicas de um grupo de notáveis: Marisa Monte, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Nando Reis, Lula Queiroga, Ivan Lins (que virou parceiro). De Adriana Calcanhotto, finalmente gravou "Vai Saber", o samba feito para ela há seis anos, mas registrado primeiro por Marisa porque o CD com a música entregue pela gaúcha se perdeu. "Fiquei morrendo de vergonha, esperando o disco da Marisa sair para aprender a música", lembra, marota, sempre o sorriso branco.

É das poucas levadas de samba (com piano, violão, bandolim e um resquício de percussão) entre as 14 faixas. Outra é a solar "Itinerário", de Max Viana, filho e "representante" de Djavan entre os compositores. "Zero Muito", de Nando, que trata do velho amor não correspondido, pode ser um momento surpresa do show, a ser dirigido por Guilherme Leme e Marcia Alvarez, produtora executiva do CD, com luz de Ney Matogrosso (dia 12/5 no Vivo Rio; 17/5 no HSBC Brasil): a percussionista Mart''nália, que toca violão só na hora de compor, ensaia para tocar guitarra em cena. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

NÃO TENTE COMPREENDER

Biscoito Fino

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R$ 29,90.

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