AP/Divulgação
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Martin Scorsese encontra papa após exibição de filme sobre jesuítas

Longa 'Silêncio' trata de missionários no Japão do século 17; veja o trailer

Reuters

30 de novembro de 2016 | 11h56

O papa Francisco se encontrou nesta quarta-feira, 30, com Martin Scorsese após uma exibição especial em Roma do novo filme do diretor vencedor do Oscar, Silêncio, que trata de missionários jesuítas no Japão do século 17, informou o Vaticano.

Para Scorsese, que passou um ano em um "seminário menor", uma escola de segundo grau para meninos que cogitam o sacerdócio, o encontro aconteceu quase trinta anos depois de muitos líderes conservadores da igreja terem repudiado seu filme A Última Tentação de Cristo, de 1988.

 

O encontro também teve significado para o papa argentino, de 79 anos, um membro da ordem jesuíta que, quando era um jovem padre na Argentina, quis ir ao Japão como missionário, mas foi impedido por motivos de saúde.

Scorsese, de 74 anos, compareceu a uma exibição especial de Silence para mais de 300 padres jesuítas na noite de terça-feira. Uma segunda exibição foi planejada para uma plateia menor no Vaticano na tarde desta quarta-feira, mas não ficou claro se Francisco estará presente.

"Ele pareceu muito satisfeito com a maneira como (a exibição de terça-feira) transcorreu", disse o padre James Martin, um jesuíta que prestou consultoria para o roteiro do filme.

Também na terça-feira, Scorsese permaneceu durante uma hora após a projeção para responder perguntas dos jesuítas.

"Ele estava muito envolvido e entusiasmado e realmente impressionou os jesuítas da plateia com a profundidade de sua espiritualidade", disse Martin à Reuters.

A produção, que deve estrear nos Estados Unidos em dezembro, fala sobre dois missionários jesuítas portugueses que viajam ao Japão pagão no século 17 para procurar seu mentor desaparecido, que rumores afirmam ter renunciado à fé sob tortura.

Ali os dois religiosos enfrentam uma escolha: podem evitar que eles mesmos e convertidos japoneses sejam mortos crucificados, queimados e afogados se pisotearem uma imagem de Jesus conhecida como "fumie".

"Você não poderia fazer um filme espiritual como este sem ser uma pessoa espiritualizada. Daria a sensação de ser vazio", disse o padre.

Scorsese foi muito criticado pelos cristãos conservadores por A Última Tentação de Cristo, mas muitos católicos também o defenderam.

"Aquele filme não mostrava Jesus renunciando à fé, mas sendo tentado, e isso é parte de sua humanidade", afirmou Martin.

 

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