Martin Scorsese em dose dupla nas locadoras

A Cor do Dinheiro, de Martin Scorsese, que valeu a Paul Newman o Oscar de melhor ator de 1986, está sendo lançado em DVD pela Buena Vista Home Entertainment. Chega às lojas com outro filme de Scorsese, também lançado em vídeo e DVD, mas pela Columbia, Gangues de Nova York. Nenhum dos dois possui os grandes extras que o público poderia esperar. Trailer, comentário do diretor, não é muito para satisfazer a fome dos cinéfilos. Scorsese já tinha o plano de filmar Gangues de Nova York quando fez A Cor do Dinheiro. Durante 20 anos ele tentou fazer o filme sobre a gênese da violência americana, que toma como ponto de partida uma história sobre brigas entre naturais e imigrantes em Nova York, no século 19, para refletir sobre aquilo que informa uma frase do cartaz nos cinemas: ?A América nasceu nas ruas.? Gangues beneficiou-se de uma publicidade excepcional durante a rodagem, quando o projeto foi, finalmente, encampado pela Miramax. Scorsese filmou em Roma, reconstituindo a sua Nova York passada em Cinecittà. Chamou para o elenco Leonardo DiCaprio, Daniel Day-Lewis e Cameron Diaz. A Cor do Dinheiro é melhor. Grande cinéfilo, Scorsese ama o velho Desafio à Corrupção, clássico de inspiração noir que Robert Rossen realizou no começo dos anos 1960, com Paul Newman no papel do jogador de bilhar, Eddie Felson. É o protótipo do perdedor e agora, mais de 20 anos mais tarde, ele está de volta, apostando suas fichas num jovem jogador interpretado por Tom Cruise. O drama encaminha-se para repetir o conflito básico do filme anterior, quando Newman/Felson e agora Cruise terminam tendo de defrontar-se. Com a cumplicidade do diretor Michael Balhaus ? que criaria para ele o vertiginoso plano-seqüência da abertura de Os Bons Companheiros, em 1990 ?, o diretor solta a câmera no pano verde e apresenta, em A Cor do Dinheiro, os mais belos planos de jogos de bilhar do cinema. E há o carisma de Newman. Por Desafio à Corrupção, ele foi indicado para o Oscar. Com A Cor do Dinheiro, ganhou o prêmio, numa daquelas vezes em que a academia, mesmo tardiamente, fez justiça a um de seus grandes.

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