Martha Rocha, a primeira Miss Brasil, morre no Rio de Janeiro

Em 1954, ela ficou em segundo lugar no Miss Universo, deu fama a um bolo e já contou ao Estadão que teve a faixa de Miss roubada

Leandro Nunes - O Estado de S.Paulo

Você pode ler 5 matérias grátis no mês

ou Assinar por R$ 0,99

Você pode ler 5 matérias grátis no mês

ou Assinar por R$ 0,99

Você leu 4 de 5 matérias gratuitas do mês

ou Assinar por R$ 0,99

Essa é sua última matéria grátis do mês

ou Assinar por R$ 0,99

A primeira Miss Brasil, Maria Martha Hacker Rocha, morreu aos 83 anos, neste sábado, 4, no Rio de Janeiro. De acordo com informações, Martha sofreu um ataque cardíaco, seguido de parada respiratória. Foi levada ao hospital, mas não resistiu.

O corpo da baiana nascida em Salvador foi enterrado neste domingo, 5, no Cemitério do Santíssimo Sacramento.

A ex-modelo foi eleita Miss Brasil em 1954, então com 18 anos, quando o concurso passou a ser realizado oficialmente. Naquele mesmo ano, ela ainda ficou em segundo lugar na disputa de Miss Universo, perdendo para Miriam Stevenson, em um concurso nos EUA. O motivo: a brasileira tinha duas polegadas a mais de quadril, ou seja, além do “ideal”.

Martha Rocha, a primeira Miss Brasil morre no Rio de Janeiro Foto: ACERVO ESTADAO

De acordo com a cobertura do Estadão na época, a votação foi acirrada. Muitos norte-americanos afirmaram que escolheriam Martha como vencedora. O então cônsul brasileiro em Los Angeles, Roberto de Oliveira Campos, afirmou: “Uma esplêndida propaganda do Brasil nos Estados Unidos”. Para ele, a modelo nascida em Salvador transformou a cara do País no exterior. “Estou inclinado a aceitar a teoria dos que pretendem que o coração do Brasil está na Bahia”, defendeu. 

A conquista do posto rendeu um recado especial de Martha aos leitores do Estadão, transmitido no dia 28 de julho de 1954. “Sinto-me imensamente feliz pelo título obtido. Não fui eu quem o ganhou, mas a beleza da mulher brasileira que tentei representar.”

De volta ao Brasil, o sucesso de Martha foi fulminante. Seu nome batizou um bolo, inspirou um modelo de carro – com duas polegadas de distância entre os eixos – e foi recebida como grande musa brasileira com marchinhas e festas. 

A trajetória da modelo abriu portas para o segmento no âmbito internacional. Nas décadas seguintes, o Brasil conquistaria bons lugares no Miss Universo; a primeira foi Ieda Maria Vargas, em 1963, Miss Mundo e Miss Beleza Internacional. 

Em 2004, em uma entrevista ao Estadão, Martha afirmou que não tinha mais o troféu de Miss Universo nem a faixa de Miss Brasil. Segundo ela, os objetos foram roubados em Salvador, em 1975, durante o velório de sua mãe. 

Na época, ela organizava uma exposição com mais de 400 peças de seu acervo pessoal, incluindo reprodução de trajes e fotos com personalidades e políticos, como Juscelino Kubitschek e sua esposa Sara, o ator de Hollywood Tony Curtis, o príncipe Charles e a rainha da Inglaterra Elizabeth II. Também havia uma foto da modelo com o presidente Getúlio Vargas, meses antes do suicídio. 

Depois dos 50 anos, Martha enfrentou um câncer e para se recuperar foi viver com o filho em Volta Redonda, no Rio.

Admirada no Brasil, a baiana virou nome de bolo e modelo de carro  Foto: ACERVO ESTADÃO

A ideia de permanecer na cidade chegou junto com a descoberta de talento artístico para pintura, ela contou ao Estadão, em 2004. “Costumo dizer que tenho o mar, as rochas, tudo dentro de mim. Eu poderia ter escolhido viver em qualquer lugar do mundo, até em castelos na França. Acusam-me de caipira, mas o que tenho é amor pelo Brasil.”

Nos últimos anos, Martha enfrentou dificuldades financeiras e afirmou em suas redes sociais que teria perdido todo seu dinheiro para o cunhado. “Em 1995, com a fuga de Jorge Piano com todo o meu dinheiro, superei meus problemas com suporte dos meus filhos, amigas e o meu trabalho honrado, vendendo meus quadros e ganhando cachê para divulgar o concurso Miss Brasil.” Ela deixa três filhos: dois do primeiro casamento com o banqueiro português Álvaro Piano e uma filha com Ronaldo Xavier de Lima.

Tudo o que sabemos sobre:

Encontrou algum erro? Entre em contato