Marta Suplicy anuncia afastamento do MinC

Ministra afirma que assunto ainda está sendo tratado pela presidente Dilma Rousseff, 'mas tudo caminha nessa direção'

Jotabê Medeiros e Rafael Moraes Moura, O Estado de S. Paulo

05 Novembro 2014 | 13h20

Atualizado às 19h30

A ministra da Cultura, Marta Suplicy, confirmou que vai deixar a pasta para retornar ao Senado Federal. Segundo Marta, o assunto ainda está sendo tratado com a presidente Dilma Rousseff, “mas tudo caminha nessa direção”.

“Eu me planejei muito bem para dois anos (como ministra), eu vou voltar pro Senado, estou muito contente em voltar. Estamos conversando, mas tenho muita vontade de voltar para o Senado. E acho que é um momento político importante, o meu Estado também necessita de um senadora neste momento”, disse a ministra a jornalistas, após participar da cerimônia de entrega da Ordem do Mérito Cultural 2014, no Palácio do Planalto.

“Por mais que eu goste do Ministério da Cultura, eu realmente tive uma enorme alegria, um aprendizado extraordinário e em dois anos pude fazer tanta coisa, mas eu acredito que tudo caminha nessa direção”, comentou.

Questionada se já havia apresentado à presidente uma carta de demissão, a ministra respondeu: “Fofoca é melhor não comentar”. 

Com ela, alguns auxiliares também estão pedindo afastamento, caso do diretor da Cinemateca Brasileira, Lisandro Nogueira, que se demitiu anteontem. Nogueira voltará a dar aulas na Universidade Federal de Goiás. “Cumpri minha missão”, disse ele, que ficou um ano no cargo. “Ele fez um excelente trabalho”, ressaltou a ministra 

A não continuidade de Marta já tinha sido decidida no primeiro turno das eleições, quando a ministra encampou um movimento pela substituição da candidata Dilma Rousseff pelo ex-presidente Lula, o chamado “Volta, Lula”. O movimento não vingou e Dilma se reelegeu, o que a colocou em xeque no cargo.

Para o lugar de Marta, já estão sendo cogitados alguns nomes. O ex-ministro Juca Ferreira, que foi convocado às pressas no final de agosto pela presidente para ocupar cargo de comando na campanha, agora é um dos principais nomes para voltar a ocupar a pasta. Um sinal da recuperação de seu prestígio ocorreu ontem: um de seus antigos auxiliares, o roteirista e diretor Orlando Senna (que foi Secretário do Audiovisual) também recebeu a comenda da Ordem do Mérito Cultural.

Há um porém: Ferreira, que é secretário de Cultura de São Paulo, está empenhado em ajudar a fazer da gestão de Fernando Haddad um modelo de administração moderna (muito das próximas eleições depende disso no PT). Ele pode decidir permanecer, ocupando-se de indicar um nome e articular uma filosofia de trabalho na pasta. 

Outro nome que surge com força é o do atual presidente do Instituto Brasileiro de Museus, Ângelo Oswaldo de Araújo Santos. A presidente gostou da forma habilidosa, diplomática porém firme, como Angelo Oswaldo conduziu a nova legislação de museus do País, sancionada há um ano. Ele também já foi secretário de Estado da Cultura de Minas Gerais no Governo de Itamar Franco (1999-2002) e dirigiu o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, IPHAN.

Contra Oswaldo, pesa o fato de que tem ideias predominantemente liberais, e Dilma se comprometeu, com o grupo que a ajudou a recuperar a confiança entre a classe artística, a retornar a inclinação do MinC para um esfera de participação popular e arcabouço vanguardista, mais ousado.

A deputada federal Jandira Feghali (PC do B), aliada importante do governo nas questões culturais, voltou a ter seu nome lembrado. O retorno do próprio Gilberto Gil é uma das soluções que estão sendo mencionadas, como forma de aproximar opostos. A gestão de Marta foi avaliado como tendo sido “saneadora”, no sentido de recolocar alguns programas nos trilhos (conseguiu, por exemplo, aprovar o Vale Cultura), mas ela não chegou a criar uma marca própria e investir num grande programa. Também abdicou da discussão de temas importantes, como os direitos autorais, que acabaram ficando na mão do congresso - um dos parlamentares que se adiantou nessas discussões foi o senador do PSOL, Randolfe Rodrigues, que conseguiu levar a cabo uma CPI contra o Ecad e uma nova lei autoral.

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