'Marketing de guerrilha' põe celebridades para fingir

A gafe de duas famosas com o mesmo vestido era o prato farto que fotógrafos e jornalistas queriam para não saírem da apresentação do Cirque du Soleil, em São Paulo, de mãos abanando. As imagens de Adriane Galisteu e Taís Araújo trajadas como um par de vasos rendeu páginas de jornais, espaços em revistas, chamadas de TV. E era tudo armação. A escolha do figurino foi proposital para fomentar comentários e introduzir uma nova campanha dos produtos da empresa Seda. A suspeita de que o acaso era um engodo já circulava, e foi confirmada pela Unilever, empresa que produz o xampu: foi tudo estratégia de marketing e todos caíram como patinhos. A estampa do vestido era semelhante ao logotipo da marca e, de fato, foi confeccionada sob encomenda pela estilista Cris Barros. De acordo com a Unilever, Taís e Adriane participaram de um ?teaser? - prévia da campanha publicitária criada para atiçar a curiosidade do público. A técnica, muito usada por emissoras de TV para anunciar novas atrações, se diferencia pelo enigma. No caso da Seda, o mistério foi mantido pela capacidade de dissimulação das atrizes, que forjaram surpresa ao saberem da ?coincidência?. Quem entende do assunto dá nome ao boi: ?marketing de guerrilha?, cujo principal objetivo é criar um fato na sociedade e fazê-lo ganhar o boca-a-boca. No caso da marca de xampus o efeito foi maior porque, além de atrair a atenção de quem estava presente, a coincidência virou notícia. ?Não foi antiético, não vejo como enganação da marca, mas como uma sacada genial?, defende Gustavo Fortes, dono da Agência Espalhe, especialista em marketing de guerrilha. Estratégia semelhante foi usada no ano passado pela cerveja Kaiser. A atriz Karina Bacchi passou a ser vista em várias ocasiões com José Valien, conhecido como o ?Baixinho da Kaiser?. A foto do beijo dos dois chegou a sair na capa de uma revista de celebridades. Quando jornalistas perguntavam à atriz se a relação era de namoro, ela desconversava dizendo que ?estavam se conhecendo?. Já o baixinho continuava a morar com sua mulher. Era tudo muito estranho, até sair a campanha publicitária em que os dois trocavam uma ?bitoca? e tomavam cerveja. Fim do mistério, de novo. A descoberta dos factóides não desfaz o valor do marketing de guerrilha. Afinal, até que isso aconteça, seus idealizadores conseguiram atrair os holofotes para o que desejavam. E se beneficiaram de duas das atividades mais prosaicas do convívio humano: a mentira e o boca-a-boca. As informações são do Jornal da Tarde

AE, Agencia Estado

28 Fevereiro 2008 | 12h08

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