Marisa Orth volta ao palco com ´Fica Comigo Esta Noite´

Atriz protagoniza comédia dramática de Flavio de Souza que a projetou no País

Agencia Estado

02 de julho de 2007 | 08h53

Quem viu não esquece. Até hoje algunsprivilegiados lembram com detalhes a densa atuação de MarisaOrth na peça Criança Enterrada, de Sam Shepard, na montagem naEscola de Arte Dramática da USP, onde a atriz se formou aos 23anos. Sem contar outras atuações no circuito alternativo e,claro, suas performances como vocalista da banda Luni. Por isso,a estréia nesta sexta-feira, 29, de Fica Comigo Esta Noite no TeatroFolha vai significar, para muitos fãs, uma espécie de viagem notempo. Afinal, foi justamente com essa comédia dramática deFlavio de Souza que ela ganhou projeção nacional.A primeira montagem de Fica Comigo estreou em São Paulo, emsetembro de 1988, com Marisa Orth e Carlos Moreno dirigidos peloautor Flavio de Souza. Os ensaios haviam começado meses antes."A última versão do texto ficou pronta três dias antes daestréia", afirma Flavio. "A gente literalmente cortava a peça ecolava os pedaços com cola Print; não tinha computador", lembraMarisa. "Tenho orgulho de ter contribuído para essa peça tersaído da gaveta", diz ela. E a temporada foi mesmo um grande osucesso de público e crítica.Contracenando com Murilo Benício sob direção do cineasta WalterLima Jr., Marisa retomou o papel da viúva que faz um acerto decontas com seu marido morto na noite de seu velório. A novamontagem chega a São Paulo depois de temporada bem-sucedida noRio. E traz novidades - duas cenas de flash-back que nãoexistiam na versão da década de 80. Numa delas, bastantedivertida, o público acompanha o primeiro encontro do casal. Naoutra, ambos revivem os últimos momentos compartilhados antes damorte do marido.Morte e casamentoFlavio de Souza, em seu texto, definiu os dois personagens comopessoas medianas: a morte foi o clímax da vida dele, umfuncionário público; o casamento, o auge da vida dela, uma donade casa. Quando a peça tem início, ela está às voltas com arecepção das pessoas no velório. Não há ninguém no palco, masela age como se houvesse, dialoga com amigos, parentes ousimples conhecidos, como o chefe do marido, de um modo que aplatéia consegue ‘adivinhar’ os que os outros dizem e imaginarsuas fisionomias. O autor tira humor da competição entre ela e a irmã, dos ataquesde choro intercalados com preocupações prosaicas ou ainda derixas familiares reveladas a partir do tratamento dado aosrecém-chegados ao velório. Mas o tema central mesmo é a perdaque, numa aparente contradição, se revela no ‘reencontro’ queocorre entre o casal. Na vida, não é incomum que a morte dealguém provoque a sensação do ‘não dito’. No palco, a personagemganha uma segunda chance. Como haviam combinado, à meia-noiteele ‘revive’ para compartilharem as últimas horas juntos. "É umapeça sobre despedida, sobre aprender a deixar partir", defineMarisa."Vi muitas montagens dessa peça, no Brasil e no exterior, e achoque poucas atrizes têm a capacidade de Marisa de transitar entreo humor e a dor", elogia Flavio de Souza. Fica Comigo Esta Noite. 80 min. 12 anos. TeatroFolha (309 lug.). Av. Higienópolis, 618, 3823-2323. 6.ª, 21h30;sáb., 20 h e 22 h; dom., 19h30. R$ 60 e R$ 70 (sáb.). Até 16/9

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