Marisa Orth e Pedro Cardoso, nos palcos paulistanos

Atriz estreia 'O Inferno Sou Eu', em que interpreta Simone de Beauvoir, e o ator volta com 'Os Ignorantes'

22 de janeiro de 2010 | 05h00

SÃO PAULO - Dois grandes atores mais assíduos em comédias trazem à cidade nesta sexta, 22, espetáculos (que não fazem rir). Marisa Orth estreia O Inferno Sou Eu, em que interpreta Simone de Beauvoir, e Pedro Cardoso volta com Os Ignorantes, de sua própria autoria, que acompanha a história de uma bala perdida. A convite do Estado, eles trocaram perguntas, que foram respondidas à maneira de suas peças - com muita seriedade.

 

Pedro Cardoso em cena. Foto: Divulgação/Guga Melgar

 

Ela pergunta, ele responde

Vivem me perguntando se consigo fazer outra coisa além de comédia. Você sofre esse tipo de cobrança? É mesmo chato insistirem em tanta diferença entre comédia e drama. Para mim é tudo a mesma coisa. O mesmo tombo que nos machuca quando a gente cai é depois engraçado quando a gente conta. Como o público reage às verdades que você diz na peça? Acredito que reagem bem. Não acuso ninguém de nada. Indico todos nós como culpados. A começar por mim mesmo. Você é autor e ator da sua peça. Como você diferencia esses dois papéis? Acho que não discrimino. Creio que todo ator é sempre também um autor. Ainda que não crie uma lógica dramatúrgica completa, ele é autor da sua interpretação do personagem, e de toda a história que se quer contar. Mesmo quando conto histórias escritas por outros, não abdico da autoria da minha interpretação.

Marisa Orth, em cena. Foto: João Caldas/Divulgação

 

Ele pergunta, ela responde

Na TV, falamos com milhões de pessoas ao mesmo tempo. No teatro, só com um pequeno número. Como isso afeta o seu trabalho? São menos pessoas, mas posso ouvir a respiração delas quando estou no teatro. Acho que ali mostro meu trabalho mais bem acabado. Levando em consideração a quase total falência do sistema educacional, será possível fazer um teatro popular como a TV? Toda forma de cultura sofre com os efeitos deste empobrecimento do espírito crítico. Temos que tentar encontrar esse teatro popular. Se não acreditarmos nisso, estaremos fazendo o que da nossa vida? Passado meio século de conquistas para a liberdade individual, você acha que ideias como as de Simone e Sartre se tornaram dominantes? Simone de Beauvoir abriu possibilidades para as mulheres que nossas mães não suspeitariam. No entanto, os tais mecanismos sociais e principalmente psicológicos de repressão continuam atuando.

 

 

Marisa Orth - Teatro Jaraguá (271 lug.). R. Martins Fontes, 71, Bela Vista, 3255-4380. 70 min. 12 anos. 6ª e sáb., 21h; dom., 20h. R$ 70/R$ 80. Até 25/4.

 

Pedro Cardoso - Teatro Bradesco (1.457 lug.). Bourbon Shopping. R. Turiaçu, 2.100, Pompeia, 3670-4141. 90 min. 16 anos. 6ª e sáb., 21h30; dom., 20h. R$ 60/R$ 80. Até 31/1.

 

 

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