HÉLVIO ROMERO/ESTADÃO
HÉLVIO ROMERO/ESTADÃO

Marisa Orth e Daniel Boaventura enfrentam os desafios impostos pelo musical ‘Sunset Boulevard’

Com estreia prevista para março de 2019, no Teatro Santander, criação de Andrew Lloyd Webber tem alto grau de exigência

Ubiratan Brasil, O Estado de S.Paulo

17 Setembro 2018 | 06h00

Depois de três espetáculos que atraíram mais de 300 mil espectadores no total ('My Fair Lady', 'Cantando na Chuva' e 'A Pequena Sereia'), a produtora Stephanie Mayorkis buscava um musical que, embora aberto a todo tipo de público, atendesse mais ao adulto. A solução nasceu em 2016, em Londres, quando assistiu à uma nova montagem de 'Sunset Boulevard', criação de Andrew Lloyd Webber, dessa vez inspirado no clássico do cinema 'Crepúsculo dos Deuses', de Billy Wilder. “Fiquei maravilhada e percebi ser um grande desafio, pois exigia um elenco perfeito não só para cantar como também para interpretar (Glenn Close estava na peça que vi), além das canções belas, mas complexas na execução”, explica ela que, de posse dos direitos, conseguiu os protagonistas à altura das exigências: Marisa Orth e Daniel Boaventura.

Com produção da EGG Entretenimento e da IMM, 'Sunset Boulevard' estreia em março, no Teatro Santander. Depois da definição de Marisa e Boaventura, começou o processo de audições e os novos nomes saem nos próximos dias. “O desafio começa com os ensaios, em janeiro, pois as canções criadas por Lloyd Webber são dramáticas, que pedem vozes lindas e com grande extensão, além de retratarem a Hollywood dos anos 1950”, observa Fred Hanson, que assina a direção artística do espetáculo.

A ambientação é, de fato, importante. O musical se passa naquela década, na Sunset Boulevard, importante avenida de Los Angeles. Lá, em uma sinistra mansão, vive Norma Desmond, atriz que foi famosa no cinema mudo, mas agora amarga o ostracismo. A situação muda quando o jovem roteirista Joe Gillis, fugindo de cobradores de dívidas, estaciona em sua garagem. Levado para dentro da casa por Max, um misterioso mordomo, Gillis acredita que, ao aceitar a proposta de Norma de ajudá-la em um roteiro que escreve há anos, poderá resolver seus problemas. É o início de um triângulo amoroso, com a atriz se apaixonando pelo jovem e com o apoio de seu mordomo, que foi seu diretor no cinema mudo e hoje é seu apaixonado platônico.

“Norma é um monstro, tem gestos exageradamente teatrais, mas o fascinante é não apresentá-la como um personagem risível”, comenta Marisa Orth, que se reencontra no palco com Daniel Boaventura depois de protagonizarem A Família Addams, musical de grande sucesso montado em 2012. E, se lá a comédia era a tônica, agora o desafio é o drama. “Foi justamente essa tarefa que impulsionou os dois a entrarem no projeto”, explica Stephanie Mayorkis.

Cantora de formação e com sólida experiência no teatro dramático (basta lembrar de Três Mulheres Altas, no qual contracenou com Nathalia Timberg e Beatriz Segall), Marisa detalha agora a preparação vocal. Para isso, conta com o auxílio da inglesa Fiona Grace McDougal, que também orientou Glenn Close para o mesmo papel. “É um trabalho de fôlego, pois Norma é uma mulher que sofre com a decadência. Assim, Webber abriu mão do agudo, que caracteriza Norma no seu auge, como namoradinha da América, para o grave, marca de quem está na descendência na carreira”, explica a atriz. “E sei que Daniel enfrenta o mesmo desafio.”

De fato, Boaventura também exercita sua voz de barítono para interpretar... Max. Sim, ele preferiu o papel do secretário de Norma ao do roteirista. “Joe parecia mais interessante, por viver a relação doentia com Norma, mas Max me atraiu porque sempre tive uma queda por papéis de homens mais velhos”, conta. “E Max se revela aos poucos, com nuances que o transformam em um grande personagem, além de suas canções, que pedem uma razoável extensão vocal – gosto da tonalidade mais lírica, escura, precisa.”

Com isso, Boaventura busca avançar dramaturgicamente no que começou quando viveu Perón, em Evita. E também usará uma prótese na cabeça, para simular a calvície do personagem. “Não é obrigatório, mas se tornou uma marca de Max”, comenta o diretor Fred Hanson, que já trabalha ao lado de Carlos Bauzys (direção musical) e Kátia Barros (coreografia). “Webber se superou aqui, com canções com tempos quebrados, que pedem grandes vozes e que evocam os anos 1950”, explica Bauzys, que terá a orquestra dentro do palco. “A direção de movimento dialoga com as músicas, com as projeções e com o cenário, que parece se movimentar. É como se o inconsciente ganhasse voz e atitude, ressaltando o tom misterioso”, completa Kátia.

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