Mário Viana tem três peças em cartaz

Mário Viana tem 15 peças escritas - quatro premiadas em concursos. Com a estréia hoje de Vestir o Pai chega a oito o número das já encenadas. Amanhã, no Centro Cultural São Paulo, estréia a nona, Carro de Paulista, escrita em parceria com Alessandro Marson e dirigida por Jairo Mattos. Com a reestréia, na semana passada, no Teatro N.Ex.T. de Um Chopes, Dois Pastel e Uma Porção de Bobagens, comédia dirigida por Hugo Possolo, são três as peças do autor em cartaz na cidade. A inspiração para Carro de Paulista veio de uma gozação típica dos cariocas com os paulistanos. Para os primeiros, ´carro de paulista´ é aquele que abriga dois casais, sendo que os homens sentam no banco da frente e as mulheres no de trás. Ou um carro cheio de homens. "Tenho amigos cariocas e ouvi muitas vezes essa gozação", afirma Viana. ´Gozação´ é o espírito da peça, mais uma comédia politicamente incorreta. Os personagens de Carro de Paulista são quatro jovens moradores da zona leste de São Paulo que conseguem um carro emprestado e resolvem ´paquerar´ na área da Paulista. "O problema é que eles desconhecem os códigos locais", diz Viana. Motivo para gafes e ciladas, como ´paquerar´ as meninas que fazem ´ponto´ na Rua Augusta. "Sei que corro o risco de parecer preconceituoso. Escrevi mesmo no fio da navalha." Filho de pernambucanos, Viana nunca morou numa área semelhante à de seus personagens. Ainda assim, nessa comédia, seu estilo de humor remete ao grupo Mamonas Assassinas. "Não havia pensado nisso, mas é uma boa associação." Segundo o autor, Carro de Paulista é uma comédia mais leve. "Não há como em Vestir o Pai um desenho de personagens muito definido, são tipos, como o extrovertido, metido a gostosão, e o tímido, que ainda morre de medo de levar bronca da mãe. Todos têm em comum a ´testosterona borbulhando´, a fissura de ganhar as minas." Saindo do individual para o social, a peça mostra a cidade dentro da cidade. "São garotos de uma realidade social tentando entrar em outra." Já Um Chopes é uma comédia ainda mais escrachada, bem ao estilo Parlapatões, primeiro grupo que apostou no talento do autor. Reunidos num bar, um grupo de amigos brinca de repassar, de A a Z, uma espécie de dicionário de escatologia. Para quem gosta de rir e tem estômago forte.

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