Mario Vargas Llosa festeja seus 70 anos

No dia de seu aniversário de 70 anos, o escritor peruano Mario Vargas Llosa diz que continua preferindo a ficção ao ensaio, diferentemente do filósofo francês Jean-Paul Sartre (1905-1980), a quem reconhece como um dos pilares de sua formação. "Sartre se desencantou com a literatura criativa, mas ela é a mais importante, a mais rica", afirmou o autor de A Festa do Bode, seu romance mais recente.Ganhador de prêmios como o Cervantes, o Príncipe de Astúrias, o Planeta e o Méndez Pelayo, Llosa comemora hoje seu aniversário em Lima, ao lado de sua esposa Patricia, seus filhos Alvaro, Gonzalo e Morgana, e os amigos que o acompanham desde os tempos de universidade e aventuras políticas. Seu aniversário coincide com a estréia em Lima do filme que adapta para as telas seu livro A Festa do Bode, dirigido por seu primo Luis Llosa eprotagonizado pela atriz italiana Isabella Rossellini.Vargas Llosa agradeceu à Espanha por abrir a ele as portas para a fama e a seus leitores de todo o mundo por permitir que ele entrasse em suas vidas. "Aos 70 anos, fica difícil saber se devemos receber parabéns ou pêsames", disse nesta terça-feira o escritor Vargas Llosa, que nasceu em 1936 na cidade andina de Arequipa, no sul do país.Escritor viveu na Espanha, Paris e LondresO escritor mudou-se para a Espanha na década de 1950 para realizarestudos universitários. Formou-se em Letras e Direito pela Universidade de São Marcos (Lima, Peru) e fez seu doutorado em Filosofia e Letras pela Universidade de Madri. Lá foi premiado com o Prêmio Leopoldo Arias, em 1958, por seu livro de contos Os Chefes, que marcou sua estréia como escritor. Mas sua carreira deslancharia somente a partir de 1963, quando publicou Batismo de Fogo, que ganhou o Prêmio Biblioteca Breve da Editora Seix Barral e o Prêmio da Crítica, e foi traduzido para quase 20 idiomas."Não tenho palavras para agradecer suficientemente à Espanha por tudo o que devo a este país. Desde meu primeiro livro premiado em Barcelona, até agora, só tenho agradecimentos a fazer à Espanha", disse em entrevista à rádio Radio Programas del Peru (RPP). Membro da Real Academia Espanhola da Língua, Vargas Llosa obteve em 1993 a nacionalidade espanhola, sem renunciar à peruana. Também lembrou com apreço o tempo em que morou em Paris e Londres, onde "aprendi muito sobre liberdade". "Minha partida e minha estadia em Paris foram a realização de um sonho e me estimularam muito", disse. Vargas Llosa voltou ao Peru em 1987 e entrou na política, participando em 1990 da campanha presidencial. Perdeu as eleições para Alberto Fujimori.Desiludido da política peruana, o escritor voltou para a Europa e se fixou em Londres. "Se consultar minha memória, sem dúvida nenhuma vivi várias vidas", admitiu no dia de seu aniversário e não mencionou nada sobre sua obra, que supera os 40 livros traduzidos em mais de 32 idiomas. "Agradeço aos críticos, aos leitores e aos editores que permitiram que eu me dedicasse a escrever", disse.

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