Mario Testino expõe alta-costura

De imagens da alta-costura protagonizadas por Sienna Miller ou Nicole Kidman até nudez de Kate Moss ou Demi Moore, o fotógrafo peruano Mario Testino revela o processo de vestir e despir na exposição Tudo ou Nada, inaugurada na terça-feira no museu Thyssen-Bornemisza, em Madri.

, O Estado de S.Paulo

26 de setembro de 2010 | 00h00

Considerado "o número 1 dos fotógrafos de moda no mundo" na opinião de Guillermo Solana, diretor artístico do museu madrilenho, Testino reivindica com a mostra a importância da fotografia de moda, "que foi vista durante muitos anos como algo supérfluo".

O artista, que demonstrou sua contrariedade com esta consideração, destacou que muitos artistas e fotógrafos se apropriaram de seu "trabalho e de outros fotógrafos" de moda. A moda é a forma mais básica de expressão de cada pessoa porque "de supérfluo não tem nada, é algo profundo de cada um de nós", comentou Testino, que comemora 30 anos de carreira.

Ainda que agora pareça tudo fácil, o fotógrafo disse que passou quinze anos "muito difíceis e com muitas dúvidas". "Ser fotógrafo de moda é uma luta, pois tudo está sendo visto e você tem de buscar algo que seja seu", comentou.

Para conseguir esse diferencial, Testino não se conforma com a imagem em si nem em levar a modelo a seu mundo. "Interessa a pessoa com quem estou, não a beleza vista, mas a que está por dentro, poder mostrar essa beleza interior", explicou o fotógrafo usando como exemplo sua experiência com Kate Moss. "Fiz um livro dedicado a ela. Creio que é uma das pessoas que mais me influenciaram por sua maneira de ser tão diferente."

Rotina. Para escolher as 54 imagens, todas em formato grande, Testino teve de rever "milhões de fotografias", já que revelou que nos últimos quinze anos tira cinco fotos todos os dias da semana. "Sem contar que é muito difícil encontrar imagens que ganhem vida nas paredes de um museu."

O artista ressaltou a liberdade que teve para montar a exposição e reconheceu que seria muito difícil destacar alguma de suas fotografias. "Acredito que não somos representados por uma imagem, mas por um universo. Esse conjunto é que mostra meu gosto", disse. Neste "universo Testino" junto à fotografia de moda também têm grande importância os retratos, as cenas de nudez e o erotismo. "Eu sou muito curioso e não posso me satisfazer apenas com um tema. Na exposição, entre a alta-costura e a nudez, tinha de passar pelo momento de se despir", comentou.

Testino reconheceu a influência que grandes nomes da pintura espanhola tiveram sobre sua obra. "Me dou conta quando visito este museu ou o Prado. Creio que culturalmente é inevitável existir uma ligação, ainda que minha obra é mais solar, mais colorida", comentou, confessando que, dos clássico espanhóis, o que mais o influenciou foi a iluminação.

Mesmo não querendo destacar alguma de suas fotografias, Testino falou da importância da nudez das imagens de Demi Moore. "O motivo é que, se eu fosse mulher, gostaria de ter o corpo dela".

Sobre o assunto, o artista defendeu o direito e a liberdade em relação à cirurgia estética. "Não se pode julgar tudo de maneira tão dura. A mulher tem uma realidade muito diferente da do homem. Eu, pessoalmente, não faria uma operação", apontou Testino, apoiando também o uso do Photoshop, que ele definiu como uma "ferramenta ao alcance de todos, uma realidade".

Guillermo Solana justificou a presença do artista no museu defendendo que ele é muito mais que um fotógrafo de moda, pois "sua obra tem um alcance que vai além. Ele contribuiu para redefinir o retrato em nosso tempo", afirmou. "Sem contar que nesta mostra, distinta, mais audaciosa, pessoal e ousada, Testino rompe com estereótipos."

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