Mario Prata desiste de novela da Record

O escritor Mario Prata retoma a partir de hoje sua crônica semanal no Caderno 2, do jornal O Estado de S.Paulo. Prata iria ficar seis meses afastado, para escrever a novela da Rede Record, dirigida por Tizuka Yamazaki, com estréia prevista em março, e inicialmente intitulada Metamorphoses (mas que, segundo ele, teve o nome mudado para Jóia Rara). O escritor, no entanto, decidiu se desligar do projeto. Ele conta - e traz mais detalhes em sua crônica de hoje - que não aprovou mudanças feitas no seu texto, incluindo cenas e diálogos. "O Boni nunca mexeu num texto meu, nem quando o ibope da novela em que eu era autor estava caindo", queixa-se. "Não estou acostumado a trabalhar assim. Se fosse bom, eu nem falaria nada, ficaria quieto."A responsável pelas modificações, de acordo com Prata, teria sido a dona da produtora Casablanca, Arlete Siaretta, que realiza o projeto em parceria com a Record. "Dona Arlete tinha a sinopse dela e eu, minhas idéias; trabalhamos uma semana em cima disso, mudamos o nome para Jóia Rara. Foi tudo aprovado." Ele começou a escrever os capítulos e, quando estava no oitavo, soube que ela havia feito as tais mudanças. "Logo no primeiro capítulo, há uma interminável cena em que um médico explica a importância da cirurgia plástica." Ele diz ainda que a amiga Tizuka tentou intermediar a situação, mas Arlete teria se mostrado irredutível. "Não houve qualquer imposição dos bispos, como muitos podem imaginar." Prata acha interessante que a Record abra um novo espaço para teledramaturgia no Brasil, quer que a novela vá adiante, mas prefere se afastar. "Eu não queria escrever novela, foi um pedido da Tizuka, que não tinha um autor e o projeto poderia parar."Antoninho Rossini, porta-voz da Casablanca, desmente as diferenças entre Arlete e Prata, que teriam culminado com a saída do escritor. Segundo ele, "não foi uma saída". "É que o contrato de Mario Prata terminou em dezembro. Ele recebeu o briefing e fez a estruturação da histórias, ajustes dos personagens." Na versão da produtora, Prata teria sido contratado só para essa fase. "A partir de agora, vão desenvolver a novela com base no que ele fez." Indagado sobre o fato de Mario Prata ter pedido seis meses de licença de sua coluna no jornal para se dedicar à novela, Rossini desconversou e reafirmou que o autor tinha contrato até dezembro apenas. Prata confirma que tinha um contrato inicial para a criação da sinopse, mas que daria continuidade ao trabalho como autor - o que a própria Arlete havia admitido em entrevistas que concedeu em dezembro.

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