Mário Prata: da Internet para as livrarias

O escritor Mario Prata, lança nessa terça-feira o seu novo livro, Os Anjos de Badaró" (Editora Objetiva), uma comédia policial escrita on-line com a participação dos seus leitores. É o 25.º livro do autor. Prata escreveu o livro ao longo de seis meses, por meio do site www.marioprataonline.com.br. Milhares de leitores acompanharam o desenvolvimento dos capítulos (foram cerca de 400 mil acessos) e davam contribuições, fazendo observações e sugestões. Vinham dicas do mundo todo, até do Japão e da Austrália. No site, Prata é extremamente profissional. Informa até mesmo o horário em que estará dialogando com os leitores - quarta-feira, 1.º de novembro, por exemplo, estará de "plantão" das 17 horas às 19 horas.A história do ginecologista Ozanan Badaró, que enriqueceu cuidando de garotas de programa e cometeu o erro fatal de apaixonar-se por uma delas, Diana, é o epicentro da comédia policial de Prata. Como o traficante que se deixa viciar ou o gângster que se apaixona pela mulher do chefe, Badaró vai pagar caro pela ousadia.A interação entre escritor e leitores foi tão afinada que o fã-clube de Prata entrava toda manhã no site, mesmo que o escritor não estivesse escrevendo, para deixar recados, dicas e poemas clicando sobre a palavra palpite. O escritor calcula que recebeu cerca de 800 mil palpites - o site teve 2,5 mil acessos por dia.Prata foi um pioneiro em estabelecer essa relação na Internet com os leitores. Em outro site (geocities.com/anjosdebada/), eram deixadas fotos e tocada uma trilha sonora não-oficial do romance em progresso.A líder deste time de admiradores assinava Carmina Burana. Pessoas de todo o País participaram da estruturação da comédia policial de Prata e até estiveram reunidos em São Paulo nos dias 4, 5 e 6 de agosto para o que chamaram de Encontro Nacional dos Anjos do Prata (no site geocities.com/enaprata, há a descrição e fotos do encontro).Os Anjos de Badaró é o segundo livro de Mario Alberto Campos de Morais Prata, mineiro de 54 anos, pela Editora Objetiva. Antes, ele já tinha publicado Minhas Mulheres e Meus Homens pela mesma editora. Embora tenha contado com a participação dos leitores, Prata reivindica a plena autoria da obra."Como o livro é um policial, eu tinha o esqueleto - quem matou, como matou, como se descobre", conta o autor. "Mas acabou ficando mais romântico do que o que eu tinha imaginado e isso eu devo aos leitores", ele pondera. Uma das cenas de amor do livro, por exemplo, foi descrita por Lena, uma leitora gaúcha. "Ela descreveu a cena com as músicas e o vinho que estavam tomando e eu apenas inseri no livro", ele conta.Uma das coisas que Prata aprendeu sobre a Internet foi que todas suas principais convicções sobre os leitores estavam erradas. Ele confessa ter subestimado os internautas. "Todos esses leitores tinham um nível cultural muito alto, um nível de exigência também muito alto", conta. Além dos palpites, recebia citações e trechos de poemas de Adélia Prado, Ana Cristina César Ledusha e John Lennon, entre outros.Prata diz que a experiência foi uma das mais ricas de sua carreira, que começou nos anos 60 em sua cidade natal, Uberaba. "Foi a primeira vez que eu pude conversar com o leitor enquanto escrevia o livro", ele diz. Às vezes ele ficava sem paciência para escrever e contava aos leitores como se sentia. "Não é só o trabalho do escritor que é muito solitário, o sucesso também é, porque você jamais vê ou dialoga com o leitor", afirma. "E ali eu o via diariamente."Os Anjos de Badaró. De Mário Prata. Editora Objetiva. 352 páginas, R$ 22,00. Lançamento nacional amanhã (nas livrarias)

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