Reprodução Facebook
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Mário Frias é nomeado para a Secretaria Especial de Cultura

Ator substitui Regina Duarte na função, agora subordinada ao Ministério do Turismo; ferrenho defensor do presidente nas redes sociais, há 5 dias ele postou mensagem ironizando as vítimas da pandemia do novo coronavírus

Guilherme Sobota, O Estado de S. Paulo

19 de junho de 2020 | 22h05
Atualizado 20 de junho de 2020 | 23h02

O ator Mário Frias foi o escolhido pelo presidente Jair Bolsonaro para ser o novo titular da Secretaria Especial de Cultura. A decisão foi publicada em edição extra do Diário Oficial da União nesta sexta-feira, 19.

Frias será o quinto secretário da Cultura do governo, sucedendo Regina Duarte, que ficou pouco mais de dois meses no cargo, e Roberto Alvim, demitido depois de usar elementos nazistas em um discurso.

O ator foi um dos poucos artistas que compareceram à posse de Regina Duarte, em março. Frias e o presidente almoçaram no Palácio do Planalto há um mês.

O decreto publicado nesta sexta-feira, 19, traz apenas a assinatura do presidente Jair Bolsonaro, e não a do ministro do Turimo, Marcelo Álvaro Antônio, a quem a pasta é subordinada.

O ator tem sido atuante nas redes sociais, onde compartilha seu posicionamento político alinhado ao do Governo e pouco fala sobre cultura. Nesta sexta, ele postou: Você que como EU votou no Presidente @jairbolsonaro fique firme, apoie, continue convicto de sua escolha, seja forte, blinde seu cérebro de narrativas mentirosas e covardes. Transforme as dificuldades em garra e força pra lutar por um Brasil melhor!"

 


Há 5 dias, ele postou mensagem ironizando as vítimas da pandemia do novo coronavírus. "Milagre? Foi só o Pres. Bolsonaro pedir ao povo para filmar que os hospitais se esvaziaram. Filma mais meu povo que milagrosamente adeus Coronavírus!", escreveu.

No início de maio, já durante o processo de “fritura” da então secretária da Cultura, Mário Frias participou de uma entrevista na CNN em que divulgava seu apoio ao presidente. "Pro Jair, cara, o que ele precisar eu tô aqui. Eu torço demais pra Regina, eu sou fã dela, mas pelo Brasil eu tô aqui, o que for preciso. Respeito o Jair demais, vejo o Brasil com chance de finalmente ser respeitado", disse o ator.

O carioca Mário Frias, de 48 anos, ficou conhecido nos anos 1990 como o galã do seriado adolescente Malhação entre 1997 e 1998, da Rede Globo. Antes disso, ele tinha participado de outro seriado juvenil, o Caça Talentos. Ele atuou ainda em Meu Bem Querer, O Beijo do Vampiro, O Quinto dos Infernos, Senhora do Destino e Verão 90, entre outras novelas. Na Band, fez Floribella. Na Record, Os Mutantes e A Terra Prometida. Mário Frias é também apresentador, e esteve à frente de programas como Tô de Férias, no SBT, e Super Bull Brasil, na RedeTV!.

Em seu perfil, ele usa a hashtag #fechadocombolsonaro, foi ativo na defesa do uso da cloroquina no tratamento do coronavírus, retuita postagens de Sérgio Camargo, o polêmico presidente da Fundação Palmares, chama o presidente da Câmara Rodrigo Maia de golpista e comenta posts do cantor Roger e do jornalista e escritor Guilherme Fiúza (criticando o Governo de São Paulo e Sérgio Moro). 

No início de maio, quando Bolsonaro disse que esperava não ter problemas naquela semana porque tinha chegado no limite, e que as Forças Armadas estavam do seu lado, Mário Frias escreveu: "Pra bom entendedor meia palavra basta".

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