Instagram/@mariofriasoficial
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Mario Frias critica uso da palavra 'todes' por Museu da Língua Portuguesa

Secretário especial de Cultura de Bolsonaro definiu uso de gênero neutro como 'pirueta ideológica'; instituição considera que discussão sobre linguagem neutra 'toca aspectos importantes sobre cidadania, inclusão e diversidade'

Redação, O Estado de S.Paulo

25 de julho de 2021 | 14h44

Mario Frias, secretário especial de Cultura do governo de Jair Bolsonaro, usou seu Twitter para criticar o uso da palavra "todes" pelo perfil oficial do Museu da Língua Portuguesa, que reabre no próximo dia 31 de julho.

"O Governo Federal investiu 56 milhões de reais nas obras do Museu da Língua Portuguesa para preservarmos o nosso patrimônio cultural, que depende da preservação da nossa língua. Não aceitarei que esse investimento sirva para que agentes públicos brinquem de revolução. Tomarei medidas para impedir que usem o dinheiro público federal para suas piruetas ideológicas. Se o governo paulista se comporta como militante, vandalizando nossa cultura, não o fará com verba federal", escreveu Frias na sexta-feira, 23.

A nova forma neutra de gênero gramatical, sem definição de gênero (masculino e feminino), que busca a inclusão de pessoas não-binárias, dividiu opiniões e recebeu críticas desde que a postagem foi feita, em 12 de julho, ganhando mais repercussão nas redes sociais dias depois. Nela, a instituição fala sobre sua reabertura como um "espaço aberto à reflexão, inclusão e um chamamento para todas, todos e todes os falantes, ou não, do nosso idioma".

Em comunicado divulgado na última sexta-feira, 23, o museu chegou a se posicionar sobre o tema: "Desde sua fundação, em 2006, o Museu da Língua Portuguesa se propôs a ser um espaço para a discussão do idioma, suas variações e mudanças incorporadas ao longo do tempo. Sempre na perspectiva de valorizar os falares do cotidiano e observar como eles se relacionam com aspectos socioculturais, sem a pretensão de atuar como instância normatizadora. Nesse sentido, o Museu está aberto a debater todas as questões relacionadas à língua portuguesa, incluindo a linguagem neutra, cuja discussão toca aspectos importantes sobre cidadania, inclusão e diversidade".

Estadão, buscou novo contato com a assessoria do Museu, mas não recebeu retorno até a publicação desta reportagem. A Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo se manifestou por meio de comunicado enviado por sua assessoria neste domingo, 25, destacando que "o museu é um espaço democrático e não tem nenhuma pretensão de atuar como instância normatizadora. Portanto, está permanentemente aberto a debater todas as questões relacionadas à língua portuguesa". Confira a íntegra abaixo: 

"Ao tentar fomentar polêmicas infundadas sobre o Museu da Língua Portuguesa, a Secretaria Especial de Cultura do Governo Federal  tenta se apropriar de uma obra capitaneada integralmente pelo Governo do Estado de São Paulo, um projeto vitorioso, para o qual contribuiu apenas indiretamente por meio da Lei Rouanet, mecanismo de incentivo fiscal que o Governo Federal paralisou e não cansa de demonstrar desprezo. O novo Museu da Língua Portuguesa é um equipamento cultural do Governo do Estado de São Paulo, que arca com o seu custeio e coordenou, em parceria com a Fundação Roberto Marinho, a captação de recursos junto a patrocinadores e a realização do projeto de restauro, ampliação e renovação de conteúdo da instituição cujo valor total foi de R$ 85,5 milhões, dos quais cerca de 40% não são oriundos da Lei Rouanet. Agora, a Secretaria Especial de Cultura tenta roubar os holofotes com a discussão sobre um post nas redes sociais do Museu. Talvez seja difícil para o Governo Federal compreender que o museu é um espaço democrático e não tem nenhuma pretensão de atuar como instância normatizadora. Portanto, está permanentemente aberto a debater todas as questões relacionadas à língua portuguesa."

Confira as postagens de Mario Frias abaixo:

 

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