Fabio Motta/AE
Fabio Motta/AE

Mario Adnet apresenta repertório inspirado na Amazônia

Compositor e instrumentista realiza em CD e no palco o concerto 'Amazônia - Na Trilha da Floresta'

LAURO LISBOA GARCIA - ESPECIAL PARA O 'ESTADO',

26 de junho de 2012 | 03h11

"Era uma vez uma floresta na linha do Equador." A premonição de Vital Farias em 1982, quando lançou a retumbante Saga da Amazônia, está cada vez mais próxima de se tornar realidade, com prováveis mudanças no Código Florestal que facilitam o desmatamento. Trinta anos depois, o compositor, instrumentista e cantor Mario Adnet realiza em CD e no palco o concerto Amazônia - Na Trilha da Floresta (Adnet Mvsica/Universal), "uma reverência a um santuário da cultura e da natureza", com patrocínio do Ibope.

O repertório, os intérpretes e a sonoridade do concerto - "uma peça de resistência na luta pela vida, da luta pelos rios e pela mata" - buscam o mesmo senso de equilíbrio e diversidade da fauna e da flora amazônicas. O trabalho mescla um tema novo e outros consagrados sem distinção entre o erudito e o popular, assinados por compositores com notória ligação com a natureza e/ou a região amazônica, como Antonio Carlos Jobim (Borzeguim e Boto), Heitor Villa-Lobos (Saudades das Selvas Brasileiras), o amazonense Claudio Santoro (Prelúdio 17), o acreano João Donato (A Rã e Amazonas II) e o paraense Waldemar Henrique (Uirapuru).

Os vocalistas convidados são Antonia Adnet, Mônica Salmaso, Roberta Sá, Vicente Nucci e Lenine, o único que não participará do concerto de hoje na Sala São Paulo, com orquestra de cordas regida pelo maestro Claudio Cruz.

Adnet abre o CD com uma peça autoral inédita, Trilhas da Floresta, sobre a qual reconhece "um pouco da escola" de Villa-Lobos e Tom Jobim, mas também Baden Powell e Dori Caymmi, autor de outra bela canção do repertório, Rio Amazonas (com letra de Paulo Cesar Pinheiro). "É como uma suíte de três partes que só agora consegui juntar", diz Adnet.

No repertório não há manifestos tão veementemente trágicos quanto o de Saga da Amazônia. "Acredito que a mensagem musical é mais forte do que qualquer verso explícito", diz Adnet. "Por exemplo, Os Rios, que é uma letra de Juca Filho formada apenas por nomes de afluentes do Amazonas, se torna um grito com a tensão da melodia e do arranjo. Eu não saberia fazer música de outra forma. Gosto da beleza, da harmonia. Acho que a arte não precisa estar necessariamente engajada. A música e a poesia têm muita força." Para ele, o futuro da Amazônia é uma questão sensível. "A floresta é mais delicada e frágil ainda. Precisamos nos iluminar."

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