Marina de la Riva se equilibra entre Brasil e Cuba

Cantora apresenta seu álbum de estréia que leva seu nome, no Bourbon Street

Agencia Estado

02 de julho de 2007 | 19h09

Cantoras brasileiras surgem tantas acada estação que às vezes fica difícil para o público escolherqual vale a pena conhecer e acompanhar. A diferença no impactodo lançamento às vezes se deve apenas ao cacife promocional.Outras se impõem pela personalidade ou pelo inusitado. Marina dela Riva tem um pouco disso tudo ao seu redor e vem sendo bemfalada no meio cultural já há algum tempo. Agora chega com oálbum de estréia homônimo (selo Mousike/Universal), com show delançamento nesta terça, 3, no Bourbon Street Music Club, em São Paulo No balanço entre sonoridades do Brasil e de Cuba, Marinatem, além da bela e afinada voz, uma história diferente dasdemais cantoras. Formada em Direito, ainda quando freqüentava assalas de aula, pensava o tempo todo na música. Até que teve oestalo de que realmente gostaria de ser cantora depois de ver umshow de Bebo Valdez. Demorou muito até ficar satisfeita com o resultado daprópria voz, que gravou e ouviu diversas vezes antes de sedecidir se se tornaria mesmo cantora. Nascida no litoral nortedo Estado do Rio, Campos dos Goytacazes, herdeira de avô e paicubanos, ela cresceu ouvindo a música da ilha, mais do que daparte de sua mãe mineira. Daí a tendência a soar mais para abanda de lá do que para a de cá.Repertório Do cancioneiro nacional, destaca-se Ta-hí (Pra VocêGostar de Mim) (Joubert de Carvalho), marchinha do repertóriode Carmen Miranda, que ela transforma de maneira impressionante.É um dos achados do CD, com arranjo e guitarra do carioca DaviMoraes. "Estava buscando uma pessoa que pudesse me traduzir emmúsica de maneira muito delicada. Aí imediatamente pensei noDavi, que é bastante versátil. Essa sonoridade Novos Baianos meencanta muito, mas eu queria dele mais o lado Moraes Moreira,não o Pepeu Gomes", diz Marina. O músico assina outros dois arranjos e participa de maisquatro faixas como instrumentista. Marina também regravou osamba Sonho Meu (Ivone Lara/Délcio Carvalho) e fez uma colagemdo baião Adeus Maria Fulô (Sivuca/Humberto Teixeira) com ahabanera La Mulata Chancletera, uma das várias composiçõesassinadas por Ernesto Lecuona. "São dois mundos queaparentemente não têm nada a ver, mas a música é tão generosaque mostra que é possível juntar um cubano que misturou a músicaafro com a européia e folclorizou isso, com a sonoridade de doismaestros do sertão brasileiro também", explica. Além de outros grandes autores cubanos, como ErnestoGrenet, de quem gravou o clássico Drume Negrita, Marina tambémchega à Nueva Trova Cubana, encerrando o álbum com umainterpretação tocante da bela Te Amaré y Después, de SilvioRodríguez. "Acabei fazendo um apanhado de canções do começo doséculo passado aos anos 60, mas isso não foi premeditado. ´TeAmaré´ é quase anos 70. Eu me apaixonei perdidamente por essamúsica, ninguém passa incólume por ela." As canções cubanas, com exceção de Ojos Malignos (JuanPichardo Cambier), em que Chico Buarque faz dueto com ela, foramgravadas em Cuba, com músicos de lá. Marina diz que asimpressões que teve são bem diferentes do que se pensa. "Elessão muito competitivos, eles têm uma reserva em relação à músicadeles. Então tive de me impor, primeiro porque são machistas. Aíchega uma mulher para gravar lá uma música que para eles é sódeles. Só que é minha também porque sou metade cubana. Até euconquistar o meu espaço e mostrar pra que eu tinha ido ládemorou um pouco", conta. "Depois foi maravilhoso, mas quandofui colocar a voz pela primeira vez ficou todo mundo na técnicade braços cruzados, olhando, querendo dizer ‘agora mostra sevocê está aqui porque pode ou porque quer’. Mas acabei fazendograndes amigos entre esses músicos." Marina de la Riva. Bourbon Street Music Club (450 lug.). Rua dosChanés, 127, Moema, telefone 11-5095-6100. Amanhã, às 22h30.Ingressos R$ 25C

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.