Marilyn Manson, o 'Anticristo' do rock, fala da visita a SP

Artista tem mostra de aquarelas na cidade, faz show no Via Funchal e é a principal atração da festa da MTV

Jotabê Medeiros, do Estadão,

18 de setembro de 2007 | 20h40

Espirituoso, esse monstrinho. No sábado à noite, esperava as ligações dos jornalistas hospedado no Hotel Montrose, em West Hollywood, com o nome de Humbert Humbert, quarto 212. Como sabemos, Humbert Humbert é o nome do desafortunado personagem de Lolita, o romance clássico de Vladimir Nabokov, o homem que perdeu tudo por conta de uma paixão por uma garota muuuito mais jovem que ele.  Veja imagens da exposição e ouça músicas de Manson no audioslideshow  É muita cara-de-pau, já que Marilyn Manso n, de 48 anos, também acaba de trocar a mulher, a estupenda playgirl Dita Von Teese, pela ninfeta Evan Rachel Wood, de 20 anos. Mas o roqueiro cujo nome real é Brian Hugh Warner, não tem nada da fragilidade de Humbert Humbert. O rock star é um sujeito que joga no ataque. Manson toca na próxima quarta-feira, 26, com sua banda no Via Funchal (Rua Funchal, 65), em São Paulo, às 22 horas, e é o convidado especial da festa do VMB da MTV, no dia seguinte. No dia 28, abre uma exposição de suas aquarelas na Galeria Romero Britto, nos Jardins (ele também é escritor, fotógrafo, cineasta) Os críticos torcem o nariz para as obras de Marilyn Manson, mas ele não parece se  abalar: cada uma de suas aquarelas custa entre US$ 3 mil a US$ 50 mil. O estilo não é exatamente revolucionário - o próprio Manson se ocupa de inventar um deck de influências para justificar sua síntese. Começa com Salvador Dalí e prossegue com Egon Schiele, Gottfried Helnwein, Luis Buñuel, Bosch,  Warhol, Mark Ryden, Fellini. Não se pode dizer que algum deles se diria lisonjeado por ter um discípulo assim, mas o fato é que as pinturas formam um arcabouço coerente com o teatro gutural do rock star. Você está vindo com sua banda e com suas pinturas. Foi premeditado?Não é a primeira vez que faço isso, mas é a primeira vez na América do Sul. Um monte de pinturas que vocês vêem no meu website eu não as tenho mais, já estão com colecionadores. Tive que voltar ao meu ateliê para pintar novas, então essa exposição terá obras que nunca mostrei antes, nunca vistas antes. Dá para ver que suas aquarelas têm um pouco de influência de Lucian Freud.É um grande elogio. Eu não poderia comparar meu trabalho com o dele, porque são técnicas diferentes. Mas há gente que já comparou, e talvez seja uma das minhas mais reconhecíveis influências, mas meu artista favorito é (Salvador ) Dalí e sua pintura, sua personalidade, seus escritos, sua abordagem da vida  Artistas nunca podem ser maiores que sua arte, e é por essa razão que eu o admiro tanto. Eu vivo o que faço, não posso separar minha criatividade de minha personalidade, do meu espírito ou o nome que se dê a isso. Tenho um monte de sentimentos que geralmente eu trago das pinturas que, às vezes, eu ponho nos discos, quando estou compondo.  "Fleurs du Mal", nome que você deu à sua exposição, vem de um livro de Charles Baudelaire, de 1857. Você o leu?Aquele livro em particular foi muito influente quando eu escrevia as letras desse disco. Um monte de  sentimentos que podem ser encontrados nas suas páginas, essa idéia do amor obsessivo, canibalismo, vampirismo, morte. Não foi algo consciente, mas fiz aquela pintura das duas flores ao mesmo tempo em que compunha para o disco. O livro de Baudelaire foi uma das poucas coisas que me fizeram sentir que minhas idéias não eram incomuns, eram compartilhadas. Algumas vezes, têm sido atribuída à sua música atos violentos. Sei o que você diz a respeito (que os pais é que têm responsabilidade pela educação dos filhos, não a sua música). Mas eu gostaria de saber se, em algum momento, você considera que a arte pode provocar violência? Você tem de considerar qual o poder da arte e quão influente pode ser a arte no que as pessoas fazem. Quando acontecem coisas ruins, as pessoas tendem a culpar um livro ou um filme, e não as coisas que realmente movem o mundo. Eu gostaria de pensar que a arte não afeta as pessoas, mas as pessoas são afetadas e respondem de maneiras diferenciadas. Algumas pensam em devolver ao mundo o que sentem, às vezes violentamente. Isso não é uma discussão nova, vem desde o tempo da Bíblia. Geralmente, os que são mais exaltados contra os artistas são os religiosos. E a Bíblia contém um monte de violência. Esse conceito de assassinato é bíblico. Mas eu acho que ser artista também é, de certa forma, uma ação religiosa. Alice Cooper esteve aqui há alguns dias e disse que acha você muito bom, mas às vezes meio depressivo. Cooper foi um dos seus mestres?(Risos) Sim, definitivamente ele foi um dos caras que eu cresci ouvindo. As minhas três grandes influências foram Jim Morrison, David Bowie e Alice Cooper. Mas Jim Morrison mais que os outros dois. Recentemente, estive no palco com Alice Cooper na Romênia e foi muito legal. O que acha de novas bandas de abordagem teatrais, como Panic at the Disco! Já os ouviu?Não teve grande impacto sobre mim. Veja, isso não é uma crítica, só que não bateu. Talvez eu não tenha bebido o suficiente. Eu acho que há grande material trágico no mundo que dá margem a essa abordagem dramática, teatral.  Você vem também para a festa da MTV Brasil. Você se sente confortável nesse mundo da MTV?A idéia de celebrar vídeos de música e arte em geral me agrada. Eu cresci ouvindo a MTV. Nos Estados Unidos, é um poucodiferente, já não me vejo pertencente àquele mundo. Uma das minhas músicas no disco novo se chama "Red Carpet Grave". É como me sinto nisso. É muito difícil achar a linha fina entre criatividade e fama, e manter-se atento ao essencial.   Marilyn Manson. Via Funchal. Rua Funchal, 65, Vila Olímpia, telefones 11-3188-4148 ou 11-3897- 4456. Dia 26, às 22 h. Ingressos de R$ 160 a R$ 270

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