MARILYN ETERNA

Exposição que começa hoje na Cinemateca apresenta 125 objetos que buscam desvendar o mistério que ronda um dos maiores ícones do cinema mundial

FLAVIA GUERRA, O Estado de S.Paulo

04 de março de 2012 | 03h09

"Devo ser ela agora?", pergunta a moça, na iminência de ser atacada pelos flashes de uma pequena multidão de fotógrafos. "Ela quem?", rebate seu assistente. "Marilyn", responde Norma, que, pensa rápido e, imediatamente incorpora o personagem que a levou ao estrelato e vira Marilyn Monroe (1926-1962), um dos maiores, se não o maior, ícones do cinema de todos os tempos. Esta é só uma das cenas do filme Sete Dias com Marilyn, que tem estreia prevista para o dia 23 no Brasil, mas resume perfeitamente um dos grandes dilemas, e mistérios, sobre a vida de Norma Jeane Mortensen: em que ponto exatamente Norma saía de cena para que Marilyn Monroe brilhasse?

As cenas protagonizadas por ela habitam o imaginário de gerações. Já as de Norma nem tanto. E é com o objetivo de desvendar um pouco mais esta figura tão pública quanto enigmática que a exposição Quero Ser Marilyn Monroe abre hoje, na Cinemateca Brasileira. É a primeira vez que uma seleção tão abrangente (ao todo, 125 obras) vem ao País. É também a primeira vez que a mostra que já rodou o mundo ganha o reforço de uma programação com os seus principais filmes. Ao todo, 15 longas estrelados pela atriz serão exibidos na Cinemateca até 1.º de abril.

Com uma seleção de fotos, pinturas e trabalhos de nomes como Henri Cartier-Bresson, Andy Warhol, Peter Blake, Quero Ser Marilyn Monroe é muito mais que uma mera compilação. A mostra traça um panorama da arte contemporânea das últimas décadas. "Há desde obras famosas de artistas consagrados, como o lendário Andy Warhol, até trabalhos de artistas mais jovens, que não viram a artista viva", comenta Nicole Forrest Byers, da International Arts & Artists, responsável pela organização internacional do evento, que está no Brasil pela primeira vez. "O mais interessante é que não se trata de documentos que se apresentam diante do público, mas sim visões pessoais da figura da própria Marilyn. "Além de ela ser uma interpretação de si mesma da própria Norma, os retratos dos artistas são também a forma de cada um enxergar este ícone tão poderoso."

Não é à toa que a diva foi a escolhida para estampar o cartaz da histórica 65.ª edição do Festival de Cinema de Cannes, que ocorre em maio. A clássica imagem da atriz assoprando as velinhas de um bolo de aniversário é também o presente dela ao festival. "50 anos depois de sua morte, Marilyn ainda é uma figura maior do cinema mundial, um ícone eterno, cuja graça, mistério e poder de sedução permanecem absolutamente contemporâneos (...) Ela nos encanta com seu gesto de esperança: um soprar de velas. O festival é um templo do glamour. E Marilyn é sua encarnação perfeita. A união dos dois simboliza o ideal de simplicidade e elegância", declarou a organização de Cannes.

É exatamente esta combinação de luxo e despojamento que se tornou a chave do sucesso da atriz. O ar de garota doce e vulnerável aliado ao sex appeal foi a fórmula perfeita para que arrebatasse não só a plateia masculina. Deu a ela o privilégio de ser desejada pelos homens e admirada pelo público feminino, que viam nela uma mulher real. É esta e outras faces de Marilyn que ainda seduzem o mundo. E que agora podem ser mais bem conhecidas pelo público de São Paulo.

QUERO SER MARILYN MONROE!

Cinemateca Brasileira. Largo Senador Raul Cardoso, 207, Vila Clementino, telefone 3512-6111. Horário de funcionamento: todos os dias, das 10 h às 22 h. Abertura hoje. Até o dia 1º de abril.

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