Divulgação
Divulgação

Marília Pêra protagoniza a comédia musical 'Alô, Dolly!'

O espetáculo, em cartaz no Rio, conta com direção e versão brasileira de Miguel Falabella

ROBERTA PENNAFORT - O Estado de S.Paulo,

22 Outubro 2012 | 07h08

Marília Pêra era uma bailarina de 23 anos que não se sabia atriz quando participou das audições para o elenco de apoio da comédia musical Alô, Dolly!, estrelado por Bibi Ferreira. Não passou.

Hoje é Marília a nova Dolly, na montagem em cartaz no Rio, com direção e versão brasileira de Miguel Falabella. "Ele fez uma adaptação maravilhosa. As músicas são deslumbrantes e a ideia da Dolly de socializar o dinheiro e o amor é muito bonita", diz ela, cujo último trabalho em teatro, há três meses, também foi como atriz e cantora, no monólogo Herivelto Como Conheci, com canções de Herivelto Martins.

Aos 69 anos, é uma protagonista mais madura do que as que entraram para a história do espetáculo, um desses clássicos da Broadway que rodam o mundo desde sua estreia, em 1964. Carol Channing, a Dolly original, tinha 43 anos; Ginger Rogers, que assumiu o papel em seguida, 54; Bibi, 44. Barbra Streisand, da malsucedida versão cinematográfica de 1969, apenas 27.

O original de Thornton Wilder de 1955, A Casamenteira, foi transformado em musical por Michael Stewart e o compositor Jerry Herman, e teve sucesso fulminante - levou dez prêmios Tony na primeira temporada. A história se passa em Nova York na virada do século 19 para o 20 e se centra na jovem viúva Dolly Levi, pobre e faminta, que descola algum como casamenteira. Sobrevive graças à inteligência e malícia.

No palco do teatro Oi Casa Grande, o público assiste a uma Marília cheia de graça, uma atriz na plenitude, que canta e dança com tanto charme que envolve não só Horácio Vandergelder, o comerciante milionário, avarento e mal-humorado vivido por Falabella, mas todo o teatro.

"É uma das cinco maiores atrizes do mundo. Falo isso com a propriedade de quem já viu Maggie Smith, Judi Dench...", afirma Falabella, big boss de 24 atores, 5 bailarinos e uma orquestra de 16 músicos.

Formado em letras inglês-português, frequentador constante da Broadway, Falabella começou as traduções há 12 anos e vem de uma sequência de cinco sucessos: Os Produtores, Hairspray, A Gaiola das Loucas, Cabaret e Xanadu. "Só interessa quando posso pôr um molho brasileiro", justifica. O exercício vai facilitando o trabalho, mas há sempre desafios, em especial na hora de verter as letras das músicas.

Então com 9 anos, Falabella testemunhou a performance de Bibi na tal montagem de 1966. Gumex no topete louro, o menino foi levado pela avó à matinê do teatro João Caetano. "Era um encantamento. Na volta, a Avenida Brasil parecia bonita", brinca o diretor, que escolhe os musicais que vai traduzir com base no papel que quer interpretar neles. Desta vez, pensou primeiro em Marília, amiga que o dirigiu em sua primeira peça, há 34 anos, e com quem nunca havia estado num palco.

Os dois creditam a longevidade de Alô, Dolly à temática amorosa e ao resgate de uma época atraente aos olhos do século 21. A música de Herman (o mesmo compositor d'A Gaiola) talvez seja o maior chamariz. "Ele é um expoente da velha Broadway", diz Falabella. "Lá eles dizem que o musical pega quando o público sai assobiando. Em Dolly só não assobia quem é surdo".

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.