Maria Fernanda Cândido, a imigrante favorita da TV

Olhos verdes, cabelos longos e cacheados. Alta, sorriso discreto e uma voz rouca que deixa qualquer um arrepiado. Como européia, Maria Fernanda Cândido convenceria qualquer agente de imigração. Talvez seja exatamente por essas qualidades - além de seu talento como atriz, claro - que fizeram a Globo ceder às suas exigências e renovar seu contrato por mais quatro anos. Tudo isso para tê-la novamente na pele de uma imigrante européia em Um Só Coração, minissérie que começa a ser gravada em outubro.A próxima produção de época da Globo, que vai prestar uma homenagem aos 450 anos que a cidade de São Paulo comemora em 2004. Com a participação em Um Só Coração, Maria Fernanda Cândido terá registrado um feito que poucos atores conseguiram, ainda mais em uma carreira tão curta: viver nas telas, praticamente ano a ano, toda a primeira metade do século 20.O "nascimento" de Maria Fernanda Cândido - pelo menos para o grande público - ocorreu na década de 10 na novela Terra Nostra, maior sucesso de época de Benedito Ruy Barbosa e vitrine profissional para a atriz, que viveu a italiana Paola. "O momento mais agitado da minha carreira foi nesta época, porque eu era uma cara nova na Globo", diz ela. Depois, Maria Fernanda deu um salto para a era do rádio, nas décadas de 40 e 50. Na minissérie Aquarela do Brasil, ela foi Isa Galvão, uma garota que não mediu esforços para se tornar uma cantora de rádio. A atriz então voltou para os anos 30 e interpretou outra italiana, a Nina da novela Esperança, outra novela de época de Benedito Ruy Barbosa.Em janeiro, em Um Só Coração, ela estará de volta como uma descendente de alemães que mora na São Paulo dos anos 20. Maria Fernanda será Ana, uma mulher ligada às artes que terá papel de destaque durante a Semana de Arte Moderna de 1922. Mas tantos sotaques em tão pouco tempo já está cansando a atriz, que vem dando sinais discretos de querer deixar a história para trás e viver finalmente o presente. "Por enquanto estou curtindo fazer papéis históricos, mas tenho vontade de trabalhar em obras contemporâneas. Uma hora vai rolar, eu sei."Brasileiríssima, mesmo, ela só foi no cinema, no teatro e nas raras participações na TV, como a que fez no seriado Os Normais. Maria Fernanda viveu uma vegetariana que tinha uma quedinha por Vani (Fernanda Torres). No cinema, Maria Fernanda estréia em setembro na pele da dissimulada Capitu no filme Dom, uma adaptação livre do diretor Moacir Góes para Dom Casmurro, o clássico de Machado de Assis. Mais um personagem de época? Seria esse um carma na carreira profissional de Maria Fernanda? Não é bem assim. "O filme vai se passar no Rio de Janeiro dos dias atuais" ressalta ela, que teve desta vez que aprender um outro sotaque: o carioca.

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