Marginalizadas do Vênus enfrentam Garcia Lorca

O Grupo Teatral Vênus, que se apresentou neste domingo no Parque das Mangabeiras, nasceu de um trabalho de parceria entre a MUSA (Mulher e Saúde), o MPM (Movimento Popular da Mulher) e a PMM (Pastoral da Mulher Marginalizada), com a finalidade de promover atividades sócio-educativas de saúde e culturais, através do teatro, com mulheres marginalizadas do Centro de Belo Horizonte e região do Bonfim, área com grande índice de prostituição. Hoje, porém, o grupo é formado por 25 mulheres de várias profissões e regiões de Belo Horizonte. "No começo, havia basicamente profissionais do sexo. Hoje tem dona de casa, artista, professora de francês, de vários bairros de Belo Horizonte", afirma Hercília Levy, educadora e artista plástica, uma das idealizadoras do projeto. E por fazer um trabalho com mulheres marginalizadas o grupo enfrentou muito preconceito no início.O Vênus surgiu por acaso, quando em 1995, foi montada uma pequena encenação de Morte e Vida Severina em comemoração ao Natal na Pastoral da Mulher Marginalizada. "Percebemos que através do teatro as pessoas tinham mais liberdade de falar, de abrir debates. Aí, demos continuidade ao trabalho", afirma Hercília. Em abril de 1996 o grupo estreava no Teatro Francisco Nunes, encenando a peça de João Cabral de Melo Neto integralmente, com o teatro lotado. "Foi maravilhoso, fomos aplaudidas de pé", lembra Hercília, que contracena com as integrantes do Vênus. Depois disso, o grupo montou a peça Gota D´Água, de Chico Buarque e está ensaiando A Casa de Bernarda Alba, de Garcia Lorca, para estrear em setembro ou outubro.Ana Paula da Silva, de 28 anos, foi a primeira integrante do grupo. "Eu já freqüentava a Pastoral da Mulher e aí surgiu a idéia do teatro", diz. Para ela, o grupo é um grande exercício de cidadania e companheirismo. "Aqui todo mundo tem que ser unido. Eu não admito preconceito aqui", afirma. Para outras duas participantes o Vênus é a realização de um sonho. Aparecida dos Santos, que está há 5 anos no grupo, sempre teve vontade de fazer teatro, mas se achava muito velha, até tomar conhecimento do grupo. "Aqui aceita todo mundo, não importa o que você faz ou a idade. Hoje o grupo é minha família. Eu me sinto muito feliz, a gente faz o nosso melhor, todo mundo cresce junto", diz. Já para Greicelene Dias, de 18 anos, foi sua primeira oportunidade de trabalhar com teatro. "Antes eu era tímida, falava baixinho", lembra. Hoje, é uma das atrizes com mais desenvoltura em cena. "É um trabalho de resgate da cidadania da mulher. O mais gostoso é ver o processo, as pessoas crescendo, produzindo e tendo grandes autores fazendo parte de suas vidas", afirma Hercília. O grupo Vênus tem encontros às terças e sextas-feiras à tarde, na Pastoral da Mulher Marginalizada, à R. Bonfim, 762. O telefone para contato é (31) 422-5968.

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